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USP adere ao Exame Nacional de Ensino

24 de junho 2015 - 14h50 Por Do G1/Douranews
USP adere ao Exame Nacional de Ensino

A esperada adesão da Universidade de São Paulo (USP) ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na tarde da ultima terça-feira (23), foi aprovada por uma grande maioria. Dos 102 membros do Conselho Universitário (CO) presentes na reunião, 91 foram a favor da ideia, 10 votaram contra e houve uma abstensão. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, defendeu a proposta e comemorou a vitória. "Hoje é o dia de comemorar. Ficamos ilhados por muitos anos, agora nós começamos a quebrar essa parede", afirmou ele após a decisão. Porém, os representantes dos estudantes e funcionários da USP que votaram contra a resolução criticaram a falta de debate sobre a implantação de cotas raciais na instituição.

De acordo com o documento, no próximo vestibular 1.499 das 11.057 vagas será oferecidas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação. Dos 143 cursos da USP, 85 terão uma parte de suas vagas no processo seletivo que usará apenas a nota do Enem 2015. Embora em 67 dos cursos da USP no Sisu terem vagas reservadas para estudantes que fizeram todo o ensino médio na rede pública (o equivalente a 77,3% das vagas da universidade no sistema), só 14 deles também anunciaram que vão reservar parte das vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

Essa é a primeira vez que a USP terá cotas específicas no vestibular para a graduação. Até então, a única política de ação afirmativa da instituição era o Inclusp, que dá bônus sobre a nota dos candidatos da Fuvest oriundos da rede pública e/ou pretos, pardos e indígenas. O Inclusp continua valendo para as vagas que ainda serão selecionadas pela Fuvest (86,5% do total).

 'Primeiro passo'
Segundo Zago, a decisão tomada nesta terça configura uma vitória porque é um primeiro passo para a USP em direção a políticas que há anos vinham sendo debatidas sem avanço na instituição(assista no vídeo acima). Uma delas é a adesão ao Enem. A outra é a reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas. "Aumenta a oportunidade de estudantes do Brasil inteiro terem a opção de ingressarem na Universidade de São Paulo. E aumenta, ainda que um pouco, a oportunidade dos estudantes de escolas públicas ingressarem na Universidade de São Paulo", afirmou ele em entrevista à imprensa após a reunião.

O reitor disse que as faculdades, institutos e escolas da USP têm autonomia para decidir como pretendem selecionar os estudantes para suas vagas, e que, por ser muito grande, a universidade tem uma diversidade de pensamento e "leva tempo" para convergir em ideias semelhantes. "Este primeiro passo eu acho que é o mais importante, os outros virão nos próximos anos."

No caso das cotas, ele afirma que, "para quem não tinha nenhuma, é bastante [ter 14 cursos com reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas]", e que essa situação pode ser "reformada" para as edições seguintes do processo seletivo.

"Na visão daqueles que têm uma expectativa de uma oferta muito mais ampla, ainda é pouco. De tal maneira que é sempre assim na universidade. Foi assim aqui no conselho. Alguns consideraram ainda as medidas insuficientes e outros consideraram bastante avançadas. No meu ponto de vista é o primeiro passo e isso se reforma no ano que vem", afirmou.