“A análise do Ideb (o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que avalia tanto a escola pública quanto a privada, mostra que a educação instrucionista é um sistema falido”. Com essa frase, o professor Pedro Demo criticou o atual sistema de ensino, o qual tem levado os estudantes, segundo ele, a ‘desaprenderem’ ao longo dos anos. Para virar esse jogo, o docente lançou o desafio de aplicar o método intitulado de reconstrutivista, focado na pesquisa de autoria como forma de aprendizagem.
A convite da Secretaria estadual de Educação, Pedro Demo ministrou palestra nesta terça-feira (21) a centenas de educadores de Dourados. Com dados do Ministério da Educação que apontam índices de aprendizagem dos alunos entre os anos de 1995 a 2013, Demo expôs a análise sobre o tema.
“O que nós vemos é que são 18 anos jogados no lixo. No ensino médio, por exemplo, o índice de alunos que aprenderam matemática era de 16,8% em 1995; em 2013 caiu para 16,4%. Em língua portuguesa eram 37,5% em 1995; já em 2013 foi de 28,7%. É estarrecedor. Nós estamos desaprendendo. Em Mato Grosso do Sul, no final do ensino médio apenas 8% dos estudantes aprenderam bem matemática. E os outros 92%?. Esse sistema gasta milhões e não funciona. São dados oficiais do próprio MEC. Precisamos ter a coragem de rever isso”, apontou Demo.
Para Pedro Demo, baseado na série histórica é possível concluir que, à medida em que o sistema avança, o estudante desaprende. “Fico estarrecido porque quem faz esses dados é o MEC. Desde 1999 ele sabe disso e ainda inventa um plano nacional da educação com duração de 10 anos. É absurdo”, frisou se referindo ao Plano Nacional de Educação, ao qual é abertamente contra.
Na tentativa de combater o sistema instrucionista, em que os professores ministram aulas e ensinam, Demo propõe que a educação seja baseada na aprendizagem. De acordo com ele, esses jovens que ‘não aprenderam bem’ tiveram anos de aulas e ensino, mas não aprendizagem. Ele citou ainda o fato de que a escola privada foi a que mais caiu no índice do Ideb.
Professor transformador
“A escola que mais caiu no índice do Ideb 2013 não foi a dos pobres, onde os alunos carregam consigo os problemas sociais. Foi a particular, dos ricos. Outro ponto: o ano em que o Ideb teve maior queda foi em 1999, logo após passar para 200 dias letivos. Em seguida inventaram mais um ano no ensino fundamental. E depois mais 20 dias. Isso prova que aumentar a quantidade de aulas não faz com que o aluno aprenda, não existe nenhuma teoria que diga isso. O sistema instrucionista está falido e precisamos parar de negar essa oportunidade aos nossos jovens”, frisou.
Na avaliação do docente, o professor é o responsável pelo desastre na aprendizagem, mas também é somente ele quem pode promover a mudança. Para ele, no ensino apenas passivo, como é usual hoje, as crianças não se preparam direito para a vida, pois não conseguem enfrentar coisas novas.
“Precisamos de uma nova forma não apenas de pensar, mas sobretudo de fazer a educação. Os professores precisam ser transformadores da escola. Estamos focados na elaboração e execução de projetos de educação integral, à distância, plataformas virtuais, formação continuada dos gestores, coordenadores pedagógicos e professores, com foco na melhoria do processo de aprendizagem dos alunos”, explica Demo.