A Aduems (Associação dos Docentes da Uems) realizou no final de semana o primeiro congresso em Dourados, com o objetivo de fortalecer o movimento sindical. No evento, promovido no auditório do hotel Bahamas, foram realizadas uma análise da conjuntura atual e perspectivas para o futuro da Universidade.
A abertura do congresso, na sexta-feira (28) à noite, contou com a participação do professor Valdemar Sguissardi, de São Paulo, apresentando um diagnóstico da política de expansão e acesso à educação superior no Brasil. Segundo ele, a educação superior no Brasil ainda é elitista. “Falta democratização e acesso à faculdade. Apenas 18% dos jovens estão cursando ensino superior no Brasil. E desses, 60% da classe ‘A’ da sociedade fazem cursos como medicina, apenas uma pequena parcela da classe ‘C’ consegue acesso e, por mais que sejam incluídos, são excluídos internamente devido à predominância financeira”, afirmou o palestrante.
Já no segundo dia do evento, houve conferencia com o professor Alexandre Galvão, da Bahia, representando o Andes (Sindicato Nacional), que expôs aos docentes da Universidade Estadual o caderno 2 do Andes, editado em 2013, que aponta o projeto ideal de Universidade segundo o sindicato nacional. “Temos que construir uma Universidade pública de qualidade que seja voltada para a classe trabalhadora e não para a elite. Essa é a nossa luta”, disse. Galvão defendeu um ensino gratuito de qualidade bancando unicamente pelo Estado. “Precisamos ter possibilidade que a classe trabalhadora do Brasil tenha condições melhores. E é aí que entra o papel da Universidade. Educação e graduação não podem ser restritos, pois a Universidade pública é um patrimônio da sociedade brasileira, foi construída na luta. Não podemos permitir um processo de privatização e mercantilização da educação. Portanto, a Universidade pública precisa de autonomia orçamentária e os governos estaduais devem ter responsabilidade com a educação superior. Devemos estar mobilizados e atentos ao governo para que este não sucateie a educação”, alertou.
Galvão apontou ainda outras lutas da categoria. “O Andes se constitui um espaço fundamental para nossas interlocuções. Por meio de uma discussão democrática e coletiva falamos sobre carreira única. Falamos de Estatuto de forma paritária: docente, discente e técnico administrativo. Falamos sobre a importância de se ter verba para extensão e pesquisa, pois Universidade não é só sala de aula, por isso fazemos a defesa desse tripé - pesquisa, ensino e extensão. E nossa maior luta atualmente é com a Previdência, porque hoje acabou a possibilidade de se aposentar com as totalidades do seu provento. Isso é um ataque à carreira do nosso setor. Portanto a discussão é fundamental para que nossas lutas tenham força e representatividade, dai a importância do Andes para nossa categoria e para as Universidades brasileiras. Sua coerência e sua conduta como um sindicalismo de luta se tornou referencia de lutas das estaduais do Brasil”, concluiu.
O congresso contou ainda com plenárias sobre o regimento da Aduems. “Nossa diretoria, após ouvir os sindicalizados avaliou a necessidade de rever o seu regulamento no sentido de promover a democracia interna, ampliando a participação dos docentes nas questões encaminhadas pela organização sindical”, disse o presidente Wilson Brum. Houve também a proposta de reservar um fundo de solidariedade, mobilização e greve da Aduems. “O sindicato em seus 20 anos de fundação presenciou e participou ativamente de lutas importantes para a construção do fortalecimento da Uems. Nesta jornada de luta, como um dos protagonistas em defesa da nossa universidade, a Aduems esteve à frente em vários debates. Portanto, visando instrumentar a categoria para os embates futuros, propomos a criação de um fundo financeiro”, explicou o presidente.
Os professores também foram favoráveis a construção de sede administrativa da Aduems. “A importância da construção do espaço é para melhorar o atendimento ao docente, dar melhores condições de trabalho a diretoria da Aduems, além de termos agregado ao nosso sindicato um auditório com capacidade para 140 pessoas”, justificou Brum. E por fim, foi debatido a importância do reajuste salarial para 2016. Os docentes discutiram os índices de reposição salarial para 2016 com o governo do Estado de MS. Além de elaborar politicas de fortalecimento dos sindicalizados em sua base, no esforço de aumentar o número de sindicalizados, participação e aproximação entre os docentes.
Com 364 sindicalizados, o Congresso reuniu representantes das 15 unidades da Universidade em Dourados.