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Profissionais vão “importar” conhecimento da Inglaterra para ajudar trabalhadores

04 de setembro 2016 - 17h37 Por Redação Douranews
Profissionais vão “importar” conhecimento da Inglaterra para ajudar trabalhadores João Paulo Teixeira recebendo o certificado da bolsa do cônsul em Belo Horizonte — Foto: Divulgação

A seleção é rigorosa e cansativa, mas o prêmio é recompensador: bolsa de estudos para cursos de pós-graduação no Reino Unido.Depois de 21 anos, sem nenhum representante do Estado, dois profissionais de Mato Grosso do Sul conseguiram ser aprovados no Programa Chevening. Eles já estão com as malas prontas para buscar, em Londres, conhecimentos para auxiliar trabalhadores do Brasil.

O auditor-fiscal do trabalho, João Paulo Ribeiro Teixeira, de 29 anos,ficou sabendo do programa no ano passado, por meio de matérias e comentários na internet.

Ele explica que tinha interesse em estudar no Reino Unido porque lá existe um órgão do governo referência em segurança e saúde no trabalho, o Health and Safety Executive, área que tem relação direta com a função exercida por ele.

Teixeira atua como coordenador da Escola Nacional de Inspeção do Trabalho e gestor na Área de Fiscalizações de Segurança e Saúde no Trabalho na Superintendência Regional do Trabalho em MS.

“Exercendo estas atividades, tive oportunidade de liderar diversos projetos que visavam a redução de acidentes e doenças no trabalho no Estado e, a partir disso, a área de políticas públicas começou a despertar meu interesse”, explica.

O obstáculo era o custo de estudar no exterior e a bolsa de estudos era o acesso necessário.

Entusiasmado com essa possibilidade, ele contou sobre o Programa Chevening ao colega de serviço e também auditor-fiscal do trabalho, Leif Naas, 35, que, imediatamente, demonstrou interesse em participar.

A SELEÇÃO

Quando questionados sobre o processo seletivo da bolsa, eles apresentam quase a mesma opinião: é árduo.

Em relação aos pré-requisitos, Teixeira detalha que os candidatos precisam ter dois anos de experiência profissional e domínio da língua inglesa.

Segundo ele, a seleção começa com o preenchimento de formulário relacionado as habilidades de liderança do profissional. Nas lembra que as respostas precisam ser em inglês e com a utilização de, no mínimo, 500 palavras.

Apresentação de cartas de recomendação, tanto acadêmica quanto profissional, também são necessárias.
A comprovação do domínio da língua inglesa é outra etapa em que o interessado na bolsa precisa provar que sabe falar, escrever, ler e compreender o idioma.

Simultaneamente, o profissional precisa ser aprovado no programa de mestrado da universidade que tem interesse. Por fim, é necessário passar por entrevista com representante do governo britânico.

APROVAÇÃO

​Leif conta que sempre teve vontade de estudar no exterior, mas o sonho ficou ainda mais intenso depois de uma viagem feita com a esposa dele, quando ela revelou o desejo de morar na Inglaterra. E o apoio dela foi determinante para que ele conseguisse realizar o sonho.

"Eu corri atrás para realizar o sonho dela. Quando fiz a inscrição eu sabia que seria difícil, mas sempre tive esperança. Grande parte de toda conquista está na confiança naquilo que você faz", declarou Leif, ressaltando que arcou com os gastos para poder levar a esposa e o filho, de um ano e oito meses, junto.

Ele vai para Kingston University desenvolver "estudo comparativo das relações de trabalho na construção civil no Brasil e no Reino Unido".

Ele diz estar confiante e o temor maior é o clima. "Toda mudança gera um pouco de desconforto, um pouco de incerteza de sair da zona de conforto. Mas estou feliz acreditando que tudo certo".

João Paulo vai estudar "políticas públicas para prevenção de acidentes e doenças no trabalho" na University College London. "Claro que vou sentir saudades dos amigos e familiares, mas todos estão me apoiando e incentivando muito. Estou muito motivado para este curso e experiência que vou viver".

Tanto o curso de João quanto o de Leif tem duração de um ano e eles conseguiram licença do trabalho durante esse período, especialmente porque o estudo deles vai beneficiar a instituição.

RETORNO

E eles disseram que a intenção é justamente essa, a de colocar em prática, por meio do Ministério do Trabalho, o que aprenderam no exterior. "Poder de alguma forma contribuir para a melhoria de nosso Estado e país. Trazer novas ideias e aperfeiçoar nossos serviços à população", pontuou João.

"Na minha vida pessoal vou trazer bagagem de viver, durante um ano, em país de primeiro mundo, com cultura totalmente diferente da nossa. E na vida profissional, tentar trazer as boas práticas trabalhistas de lá e colocar aqui", finalizou Leif.

Enquanto os poderes Executivo e Legislativo insistirem em manter suas estruturas paquidérmicas, movidas pelo maléfico clientelismo, inútil será promover reformas do que quer que seja e criar impostos e mais impostos. A reforma tem de vir de dentro para fora, extirpando os excessos que corroem os recursos, produzindo deficits astronômicos. O povo não suporta mais pagar a conta! Ester Figueiredo Continuar Lendo