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Mestranda indígena da UFGD é selecionada em programa de pesquisa

26 de março 2021 - 20h28 Por Redação Douranews
Mestranda indígena da UFGD é selecionada em programa de pesquisa Inair Gomes Lopes concorreu com outras 750 candidatas inscritas a programa de auxílio financeiro — Divulgação/Assessoria

Concorrendo com 750 inscritas, Inair Gomes Lopes, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação e Territorialidade da Faind, a Faculdade Intercultural Indígena da UFGD, conquistou uma das 24 bolsas de auxílio financeiro do Programa Amanhã, desenvolvido pelo Movimento Parent in Science (Mães e Pais na Ciência).

Esse programa tem como objetivo garantir a permanência das estudantes mães nos cursos de pós-graduação neste contexto agravado pela pandemia da Covid-19. As dificuldades de conciliação da maternidade com a pós-graduação aumentaram depois das medidas necessárias para conter o contágio pelo novo coronavírus. Um estudo realizado pelo Programa, com a participação de aproximadamente 10 mil alunos de pós-graduação do Brasil, demonstrou que, neste momento, menos de 10% das alunas de pós-graduação que são mães estão conseguindo seguir normalmente com o desenvolvimento de suas dissertações e teses em contraste com 20% dos pais e cerca de 35% dos homens e mulheres sem filhos.

Inair Gomes Lopes faz parte dessa estatística. Por causa da pandemia e dos cortes no orçamento, ela foi dispensada da escola onde trabalhava na Aldeia Pirakua, localizada na cidade de Bela Vista. Ela é indígena da etnia Kaiowá, tem 29 anos e é formada na habilitação em Ciências da Natureza da Licenciatura Intercultural Indígena - Teko Arandu, da UFGD. A renda como professora era importante para o sustento da família formada por Inair, seu companheiro e dois filhos pequenos, um menino de três anos e uma menina de sete.

Agora, com a bolsa do Programa Amanhã, ela terá suporte para prosseguir estudando e em breve tornar-se mestre em Educação e Territorialidade. “Esse auxílio é de suma importância para continuar seguindo firme e concluir minha pesquisa. Ele estará contribuindo com as despesas necessárias para meus estudos, como internet, impressora, entre outros meios de comunicação e da tecnologia da informação”, contou Inair.

Mais do que obstáculo, a pandemia virou parte do estudo. Ela entrou no mestrado em março de 2020 e o seu projeto de pesquisa é intitulado Tembi'u ymaguare Nemombarete: Alimentos Tradicionais Kaiowá na aldeia Pirakua. Com seu projeto e a participação no grupo de pesquisa em Etnobiologia e Conservação da Biodiversidade da UFGD, Inair produziu um artigo científico com os colegas do grupo e a orientadora Laura Jane Gisloti, que foi publicado na Revista Brasileira de Agroecologia. O artigo trata da importância do conhecimento tradicional das plantas medicinais dos povos Guarani e Kaiowá como estratégia para o enfrentamento dos sintomas gripais da Covid-19.

A partir de sete estudos etnobotânicos foram listadas quais são as plantas usadas no trato do sistema respiratório e confeccionado um levantamento de dados com informações sobre as espécies encontradas. De todas as catalogadas, 27 (87,1%) são plantas nativas dos domínios fitogeográficos brasileiros, enquanto quatro (12,9%) são espécies exóticas. As espécies mais citadas foram Cedrela fissilis (Fabaceae) e Moquiniastrum polymorphum (Amaranthaceae), popularmente conhecidas como as árvores cedro e cambará, respectivamente. O trabalho completo pode ser acessado em: http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/rbagroecologia/article/view/23271.