Greve dos professores começou segunda-feira em Dourados — Divulgação
A greve dos profissionais da educação pela valorização da categoria e o reajuste de 33,24% no Piso Salarial Nacional, que completou três dias nesta quarta-feira (16) em Dourados, recebeu o apoio em forma de moção da Câmara de Vereadores e manifestação na Assembleia Legislativa por parte do deputado Barbosinha, apontando o que chamou de ‘tragédia anunciada’ para o caos também nesse setor da Administração Municipal.
Para o vereador Elias Ishy, que preside a Comissão Permanente de Educação da Câmara, essa não é uma luta apenas salarial. “[Os professores] vão além na jornada de trabalho para atender a comunidade, sofrem juntamente com os alunos com falta de infraestrutura adequada e segurança nas escolas e Ceims (Centros de Educação Infantil municipal), por isso é importante que a sociedade tenha conhecimento dos motivos para apoiar a categoria que passa por essa greve” em Dourados.
“Os professores e alunos não podem ser penalizados pela falta de gestão e planejamento”, repetiu Ishy aos dizeres de uma faixa que as servidoras carregavam em um dos atos realizados até agora. O Simted (sindicato dos trabalhadores do setor) divulgou motivos que devem ser avaliados pela população, como a falta de investimento em recursos tecnológicos, pedagógicos e de infraestrutura, mesmo com o crescimento das receitas destinadas à manutenção e desenvolvimento da educação básica.
Já o deputado Barbosinha disse, na sessão desta quarta da Assembleia, que “não bastasse o caos na Saúde, onde falta quase tudo, de insumos básicos a pagamento de salários dos profissionais que cuidam de vidas humanas”, Dourados vive mais um retrato melancólico, “em meio à escuridão, o matagal que toma conta da cidade e aos buracos, o que podemos chamar de uma verdadeira tragédia anunciada”.
O sindicato também denuncia a superlotação das salas de aula que precariza o trabalho dos professores e a aprendizagem dos estudantes, contrariando a deliberação do Conselho de Educação que regulamenta o número máximo de alunos por turma. Ainda a falta de professores-apoio da educação especial e estagiários nos CEIMs, de vagas na educação infantil e no ensino fundamental devido à ausência do regime de colaboração entre a rede estadual e municipal, previsto na Constituição Federal. Os salários da categoria estão congelados desde o ano de 2017, apesar de um aumento de mais de 80 milhões nos repasses do Fundeb no período, bem como o descumprimento da Lei do Piso Salarial Nacional, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.
No primeiro dia de greve, o prefeito Alan Guedes ainda recebeu a Comissão de Negociação, mas a proposta apresentada foi recusada pela categoria, permanecendo a greve. A gestão municipal ofertou 8% pagos a partir de abril de 2022 e 2,39% a partir de dezembro com reajuste de 10,39% dos salários. O Simted apresentou a contraproposta de 10,39% de reajuste em abril para o administrativo e para o magistério o piso de 33,24% para ano, sendo que 18,8% seja retroativo a janeiro, 5,9% em agosto e 5,9% em dezembro. Nova reunião ficou marcada com o Executivo para às 8 horas desta quinta-feira (17), na Prefeitura.