Sara Quinava, de Moçambique, participa de programa na AAGD — Douranews
Sara Carlos Quinava, psicóloga clínica em Moçambique, está no Brasil desde o começo desse ano, participando do Programa de Mestrado Profissional de Ensino em Saúde, oferecido por meio de intercâmbio entre os dois países, depois de selecionada para a Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em Dourados.
Aprovada na primeira chamada da publicação do edital firmado com a Embaixada do Brasil em Maputo, do Programa de Formação de Professores de Educação Superior de Países Africanos, Sara decidiu a escolher a temática da sexualidade entre autistas como proposta de formação e, para reforçar essa preocupação, participa semanalmente de palestras com mães de crianças autistas assistidas pela AAGD (a Associação de Amigos dos Autistas da Grande Dourados), onde são atendidas mais de 250 pessoas.
Ao Douranews, a intercambiária definiu essa nova experiência: “A partir do momento em que a sociedade desenvolve vários estereótipos, de que o autista não possui sexualidade, simplesmente por ser autista, pretendo mostrar que ele é um ser humano, que sente emoções, tem sentimentos, frustrações, tristezas e por isso, para poder criar essa transformação, o pouco que tenho para poder contribuir e mostrar que o autista precisa vivenciar isso com várias pessoas se dá através desse programa”. Nas palestras, ela orienta as mães das crianças para estimular mais e melhor comunicação entre eles.
“Os pais precisam desenvolver essa comunicação com os seus filhos, orientando de maneira mais assertiva no processo de educação sexual, promovendo uma autonomia segura do seu próprio corpo", acrescenta Sara.
Aprendizado
A enfermeira Loreta Lacerda, há nove anos atuando na AAGD, e mãe de um filho autista de 11 anos de idade, estimula a participação das famílias dos alunos da instituição nesse programa de palestras. Ela cita que, além das atividades com musicalidade, ginástica, psicopedagogia, academia e equoterapia, a Associação auxilia na inclusão do autista em todos os ambientes, inclusive, na escola, fomentando técnicas de conversação e estímulo ao conhecimento do público TEA, os possuidores do Transtorno do Espectro Autista.

Enfermeira Loreta, durante palestra com mães de autistas
A professora da Rede Municipal de Ensino, Maria Evangelista, por exemplo, sabe muito bem o que significa isso. Quando decidiu adotar Ellen Regina, hoje com 24 anos, e uma das primeiras frequentadoras da AAGD, inicialmente rejeitada pelo diagnóstico de infância, também decidiu assumir todos os desafios: ‘O autista tem muito a nos ensinar, a sociedade é que ainda precisa aprender muito com essas pessoas’.
No mês passado, o Governo do Estado assinou autorização para celebração do convênio de R$ 1.713.614,00 com a AAGD para a construção da segunda etapa da sede da instituição, fato comemorado pelo presidente Francisco Sobrinho de Brito, que há 12 anos se dedica a essa causa, juntamente com a esposa Ana Cláudia Pereira da Silva. Atualmente, há cerca de 360 crianças na fila de espera para ingressar na Associação.