Alunos são orientados a frequentar aulas normalmente — Divulgação
A Semed (Secretaria municipal de Educação) abriu sindicância para apurar os fatos levantados a partir de conteúdo narrado em gravação de uma conversa por WhatsApp, que vazou na semana passada, relatando “instruções” de uma suposta dirigente do Simted (o Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados) no sentido de prejudicar os alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino) durante o período da greve anunciada para esta semana pela categoria.
Também, já está com o MP (Ministério Público) de Mato Grosso do Sul cópias de reportagens publicadas e, principalmente, o conteúdo vazado da gravação atrtibuída a professora e membro da direção do Simted que revela uma articulação ilegal do Sindicato para o movimento grevista. O plano prejudica alunos e pais que estudam e dependem de Rede Municipal de Ensino e contraria a Lei de Educação. A denúncia foi formalizada na sexta-feira (19) pela Prefeitura de Dourados.
O áudio trata sobre assuntos sensíveis: reposição de aula, serviços de merenda e limpeza e o que pode ser considerado o mais grave, que é o improviso elaborado e premeditado durante as aulas das crianças. Na gravação, a membro da diretoria do Sindicato manda mensagem para uma professora:
- "Não repõe, não repõe (as aulas perdidas). Eu sou do maternal 1 e você é do maternal 2. Na semana que eu estou na greve eu faço meu planejamento e a gente já combina antes que é você que vai ficar com minha turma. Sim, é desgastante, é. Vai juntar turma, vai pro parque, sei lá eu. (...) Vai virar um caos. Mas é esse o plano, entendeu? Tem que ser" diz trecho da conversa que será analisada pela promotoria.
A mensagem ignora completamente a Lei Complementar 118, artigo 32, inciso VII, que veda “cometer a outrem o desempenho de cargos que lhe competir”, ou seja, o professor não pode se ausentar e transferir a responsabilidade para o outro, ignorando o registro oficial de presença e afetando diretamente as crianças com aulas improvisadas.
Mesmo sendo ilegal, a diretora do Simted explica, na conversa, como fazer para não haver a paralisação das aulas:
- "Eu deixo meu planejamento, atividade, o que for impresso e o que não for (...). O que for de planejamento tá registrado no meu caderno, tá impresso e eu deixo com você (...). Nessa semana você vai dar atividade para a minha turma, com o planejamento que eu fiz, lógico que a gente planeja atividade parecida, tudo isso daí (...). Na semana seguinte você vai pra greve e eu fico. Você faz seu planejamento e você me entrega e deixa registrado no seu caderno (...). A dupla ou trio (de professores) combina isso, combina como vai ser e aí deixa registrado no caderno. Não repõe nada, não repõe".
Sindicância
Depois que tomou conhecimento do áudio a Semed abriu uma sindicância para apurar os fatos. Com a sindicância a intenção é apurar, administrativamente, todo o conteúdo narrado na gravação. Diretores de escolas e coordenadores dos Ceims (Centros de Educação Infantil) já foram oficiados para monitorar a situação. A Prefeitura de Dourados não vai permitir, ou tolerar, em hipótese alguma, que os alunos da Rede Municipal sejam prejudicados por qualquer que seja o motivo, diz a secretária Ana Paula Benitez.
Aumento de 25%
O movimento é mais uma pressão do Sindicato, que decidiu ignorar o reajuste de quase 25% no salários dos professores nos últimos dois anos. Com a proposta de 6% de reajuste este ano, somado aos 18,86% do ano passado, os profissionais da educação conquistaram um reajuste equivalente a 1/4 do salário em apenas dois anos, aumento considerado inédito em Dourados se comparado com a média histórica, conforme divulga a assessoria da Prefeitura.