Enquanto a Grande Dourados cresce, se transforma e demanda novas oportunidades, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) corre o risco de ficar para trás. O motivo, segundo avaliação de integrantes da Chapa 2, que concorrem à Reitoria e Vice-reitoria na instituição, é claro: a ausência histórica de um diálogo estruturado com a comunidade.
Ao longo dos anos, a universidade se manteve, em muitos momentos, voltada para dentro de seus próprios muros — sem promover uma escuta ativa, contínua e estratégica da sociedade que a sustenta. O resultado desse distanciamento agora se evidencia de forma concreta: cursos com baixa demanda, vagas ociosas e uma desconexão crescente entre a oferta acadêmica e as necessidades reais da região.
Para os membros da Chapa 2, encabeçada pela professora Gicelma Chacarosqui e o vice-reitor Arquimedes Gasparotto, essa não é uma falha pontual, é uma oportunidade perdida ao longo do tempo.
“O que está em jogo não são apenas vagas não preenchidas. É o quanto a universidade deixou de avançar por não ouvir a comunidade. É o quanto deixou de formar profissionais em áreas estratégicas, de responder às transformações da região e de cumprir plenamente seu papel social”, destaca a chapa.
A avaliação é de que faltou planejamento baseado em escuta ativa. "Não houve, até aqui, um processo amplo, institucionalizado e participativo que envolvesse sociedade, setores produtivos, escolas, lideranças locais e os próprios estudantes na construção das decisões sobre cursos e expansão acadêmica", constatam,
Sem esse diálogo, a universidade perde relevância, perde capacidade de resposta e perde conexão com o território onde está inserida. Diante desse cenário, a Chapa 2 propõe uma mudança de postura: tirar a universidade de dentro de si mesma e recolocá-la em diálogo direto com a sociedade.
A proposta é promover um debate amplo e estruturado, envolvendo todas as instâncias institucionais — coordenações, direções e conselhos —, mas, principalmente, garantindo a participação efetiva da comunidade externa.
"Mais do que consultas formais ou comunicações pontuais, a defesa é por um modelo de gestão baseado em escuta ativa permanente, capaz de orientar decisões estratégicas sobre ocupação de vagas, fortalecimento dos cursos existentes e criação de novas formações alinhadas às demandas da Grande Dourados".
A Chapa 2 também reforça que a discussão não trata de exclusão de cursos, mas de responsabilidade institucional: ocupar vagas, qualificar a oferta e construir, junto à sociedade, o futuro da universidade.
“A universidade pública não pode se fechar. Quando ela deixa de ouvir, ela deixa de cumprir seu papel. E quem perde não é só a instituição — é toda a comunidade”, afirma a chapa.
O debate está lançado: até que ponto a UFGD tem escutado a sociedade que a sustenta? E quanto ainda pode avançar ao abrir suas decisões para quem está fora de seus muros?
Para a Chapa 2, o caminho é claro — e urgente: ouvir, dialogar e reconstruir a conexão entre universidade e comunidade.


Gicelma e Arquimedes, da Chapa 2 na UFGD - (Foto: Divulgação)




