Depois dos manifestos das ruas, que tomaram parte das principais capitais brasileiras no mês de junho, os partidos políticos se veem às voltas com um novo dilema: apresentar caras novas para o eleitor, como forma de tentar se manter nas estruturas existentes de poder e ao mesmo tempo contemplar o clamor popular que pede por mudanças, inclusive de postura, dos partidos e futuros candidatos.
Esta semana, que começa hoje (29), é decisiva para a definição dos políticos que estudam filiação, ou mesmo troca de partidos, dentro das acomodações características dos períodos pré-eleitorais. A legislação eleitoral brasileira determina que candidatos que queiram disputar eleições em 2014 devem estar filiados a uma determinada legenda até um ano antes da eleição, cujo primeiro turno está marcado para o dia 5 de outubro do ano que vem. A regra vale também para quem deseja mudar de partido.
Em Mato Grosso do Sul, por enquanto, predomina a polarização em torno do nome do senador Delcídio do Amaral (PT) como virtual concorrente à vaga do atual governador André Puccinelli (PMDB). Embora não tão novo [o senador já experimentou essa disputa uma vez e foi derrotado pelo próprio Puccinelli], Delcídio agora se aproxima de André e pode até ter o atual chefe do Executivo como companheiro de chapa, na disputa da vaga ao Senado.
As novidades, entretanto, ficam por conta de nomes que vem despontando na área administrativa e podem ser levados a disputar cargos públicos, por mérito da ação política e pela necessidade, igualmente, de responder à voz das ruas. Nesses casos, sobressaem o nome do presidente da Sanesul, José Carlos Barbosa e do comandante da PM (Polícia Militar) no Estado, coronel Carlos Alberto David dos Santos, virtuais candidatos a deputado estadual no ano que vem. O vereador douradense Marcelo Mourão (PSD) é promessa de candidato a deputado federal nessa articulação.
Troca-troca
Barbosa está filiado ao DEM (Democratas), mas até o final da semana deve migrar para o PTdoB, legenda que vem se estruturando em torno de nomes de destaque na política estadual para fazer frente ao dispositivo da legislação quanto aos coeficientes exigidos para eleger novas alternativas. Esse partido também pode ser o destino do ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, ainda no PMDB, visando a construção de um projeto eleitoral consistente. O coronel David ainda não definiu os rumos.
Com a criação de dois novos partidos, em rápida articulação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na semana que passou, o Pros (Partido Republicano da Ordem Social) e o Soliariedade estão à procura de nomes para reforçar o horário eleitoral e se apresentarem como opções de voto na disputa do ano que vem. A imprensa nacional repercutiu, inclusive, que o deputado federal Marçal Filho (PMDB) seria uma dessas peças de troca.
Em entrevista concedida neste domingo (29) ao jornal O Estado de S. Paulo, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, um dos líderes mais respeitados do PMDB nacional, disse que a legalização desses dois novos partidos foi uma medida "politicamente inadequada".
Apesar de considerar "perfeitamente legal", sob o ponto de vista jurídico, a criação dos novos partidos, Temer disse que o Brasil, com 32 partidos na atualidade, tem legendas que já "perderam a identidade".
Na visão do vice-presidente, esses novos partidos podem vir a fazer parte da estratégia do Governo para tentar segurar os ensaios de ‘independência’ anunciados com a saída do PSB da base governistas, e tentar evitar uma candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à sucessão da presidente Dilma Rousseff. A hipótese do PT vir a oferecer a vaga de vice, hoje com Temer, ao PSB, não é descartada pelo político. A vaga de vice, segundo ele, "não é uma coisa de vida ou morte". Mais importante “é manter o PSB na chapa da presidente”, concluiu.