O ex-governador Zeca do PT, atual vereador do partido na Câmara de Campo Grande, defendeu nesta sexta-feira (1), em conversa por telefone com o Douranews, a reedição da ‘chapa pura’ que o partido montou em 2002 para a reeleição dele.
“Estou pronto um debate novo, não vejo perspectivas de futuro político nessa aliança à direita que vem sendo conversada pelo meu partido”, disse o ex-governador, criticando a aproximação do senador Delcídio do Amaral, virtual candidato à sucessão estadual, com grupos considerados conservadores.
Zeca do PT reconhece que Delcídio é o melhor candidato a governador do partido para as eleições de 2014, “mas não pode ficar de namoro com Zé Teixeira (DEM) e o Reinaldo [Azambuja, do PSDB], isso é atraso”. A proposta dele tem como candidato a vice o atual presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de MS), Roberto Botareli e o atual deputado estadual Pedro Kemp ao Senado.
Em visita aos municípios da região, segundo ele para fortalecer o debate interno do partido e estimular candidatos ao PED (Processo de Eleições Diretas) no PT, que vai escolher novos presidentes no dia 10, Zeca lembrou que em 2002 encabeçou chapa pura à reeleição, com Egon Krackekhe de vice e o próprio Delcídio para senador.
“Vínhamos de uma aliança com o PDT, aí o PT não quis a continuidade do Kohl [Moacir, ex-prefeito de Coxim] como meu vice, escolhemos o Egon de Dourados e o Delcídio, e saímos com chapa pura. O Delcídio tinha zero nas pesquisas e virou senador contra o Pedrossian [ex-governador por três vezes, desde o Mato Grosso]. Por que isso não pode se repetir agora?”, indaga.
Zeca do PT disse que vai agendar um encontro com o senador Delcídio para segunda-feira (4), em Campo Grande. “Quero mostrar pra ele que o PT é muito maior do que essa aliança à direita que tentam nos colocar, e espero que ele consiga enxergar nesse caminho a oportunidade de voltarmos a fazer pelo Estado o que já pudemos realizar nos oito anos de mandato”.
Bernal
Zeca também comentou sobre a situação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), eleito no segundo turno da disputa eleitoral de 2012, inclusive com o apoio do PT que disputou o primeiro turno com a candidatura do deputado federal Vander Loubet. “Ele esta fragilizado, não conversa com ninguém, acha que pode governar sozinho, é uma situação complicadíssima”, avaliou.
O prefeito da Capital está às voltas com denúncias de irregularidades na contratação de empresas, não pagamento de compromissos da Prefeitura e ainda enfrenta uma Comissão Processante que foi aberta na Câmara de Vereadores e que pode lhe custar o mandato, pedido já feito pelo MPE (Ministério Público Estadual) de Campo Grande.