“Se depender deles, o Delcídio não ganha essas eleições”. A afirmação, de um político bastante afinado com o governador André Puccinelli e muito próximo do prefeito Murilo Zauith, de Dourados, sob sigilo, revela a estratégia que está sendo montada, nos bastidores da sucessão estadual, para tentar impedir o retorno do PT ao comando do Estado.
Essa articulação prevê, inclusive, o lançamento de chapa pura de candidatos do PMDB do governador André e uma outra chapa, que vem sendo ‘costurada’ por Murilo, como forma de forçar, em última análise, a disputa de um segundo turno para definir as eleições em Mato Grosso do Sul.
Esta semana, o senador Delcídio do Amaral (PT), até então considerado imbatível nas pretensões de vir a ser o sucessor de André, voltou a manifestar sinais de insatisfação quanto à forma como o próprio partido dele tenta conduzir o processo. Delcídio usa o prestígio que dispõe junto ao Governo federal para conduzir conversações e pretende construir uma aliança que incluiria o PSDB e o próprio DEM no palanque regional.
Já circularam fortes rumores de que o senador, um dos mais bem avaliados no ranking do Dieese [instituto nacional que sonda o prestígio de políticos em Brasília] teria informado ao comando petista que pretende ter o deputado douradense Zé Teixeira, presidente do DEM no Estado, como candidato a vice da chapa e o deputado federal Reinaldo Azambuja, presidente regional do PSDB, como senador. Oficialmente, pelo menos por enquanto, nenhum dos três desmentiu essa articulação.
Ganhando tempo
Por outro lado, o governador André, quando perguntado sobre o projeto eleitoral para 2014, ora diz que pretende ‘cuidar dos netos’, o que traduziria uma antecipada aposentadoria política, ora afirma que prefere ‘fazer charminho’ e que pensa mesmo é em se preservar para tentar consertar ‘o estrago’ provocado pela derrota da Prefeitura da Capital. Ele próprio não esconde o desejo de voltar a administrar Campo Grande.
Da mesma forma, o prefeito Murilo sempre responde com um ‘estamos aguardando’ quando é questionado sobre os rumos do PSB no Estado, diante da nova força política que vem se formando em torno do governador Eduardo Campos, de Pernambuco, considerado a principal novidade para a disputa presidencial deste ano, e com quem o prefeito douradense estará reunido hoje (4) em Brasília.
Murilo e André sempre caminharam politicamente juntos, apesar de manter a postura independente de ações, e, embora abrindo concessões para alguns afagos a nomes do PT, como no caso dos espaços na administração de Dourados a membros da legenda, no plano estadual é evidente o desconforto de uma aliança envolvendo petistas. Pesquisas e sondagens pré-eleitorais tem sinalizado claramente nesse sentido.
As chapas
Assim, o que pode vir a marcar o cenário de disputas, faltando nove meses para as eleições, seriam a formação de pelo menos três chapas majoritárias. Nelsinho Trad e Simone Tebet disputariam Governo e Senado na chapa pura do PMDB; Murilo e Reinaldo (ou vice-versa, ou ainda em uma composição com o próprio PMDB, ou o DEM e aqui, também, não se descarta um projeto com a atual primeira-dama Cecília Zauith, na fila de espera, em 'stand by') formariam outro palanque; e Delcídio se juntaria aos atuais aliados de Dilma (fora o PMDB ‘radical’ do Estado) na terceira chapa.
A decisão de adiar o encontro, inicialmente marcado para o dia 15, em Dourados, quando o comando regional do PMDB poderia se posicionar sobre o quadro eleitoral de 2014, já sinaliza o projeto sincronizado de André e o prefeito Murilo. Um mini-palanque pro-Nelsinho, a essas alturas, poderia servir mais de obstáculos às alianças que podem ser montadas. André insiste na tese de que “o que está dando certo não pode mudar”, mas as definições só virão, mesmo, nas convenções de junho, em meio à Copa do Mundo brasileira. E nem os resultados imprevisíveis dos campos de futebol podem ser tão igualmente comparados ao que vem pela frente nas urnas de 5 de outubro.