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Eleições

Eleitores da África do Sul vão às urnas pela primeira vez pós Mandela

04 de maio 2014 - 16h18 Por Redação Douranews
Eleitores da África do Sul vão às urnas pela primeira vez pós Mandela

Passados 20 anos após o fim do apartheid, em 1994, os sul-africanos voltam às urnas quarta-feira (7) para eleições gerais que devem desenhar o futuro político do país. É a primeira disputa realizada sem a presença física do ex-presidente Nelson Mandela, herói da luta contra o regime racista e patriarca da democracia racial, que morreu em dezembro do ano passado. O desempenho do CNA (Congresso Nacional Africano), que Mandela personificou por várias décadas, será observado com atenção.

Embora a legenda governe o país desde 1994 e continue favorita, uma série de escândalos de corrupção, somados aos problemas socioeconômicos, vem derrubando os índices de aprovação do presidente Jacob Zuma e, consequentemente, de confiança no partido. Para analistas ouvidos pelo jornal Correio Braziliense, a eleição da próxima quarta-feira representa o início de um novo cenário político na África do Sul.

De acordo com um estudo divulgado pelo instituto Ipsos, em novembro passado, apenas 46% dos sul-africanos aprovam o trabalho de Zuma. Em teoria, a insatisfação com o governo deve se refletir nas urnas, mas sondagens eleitorais indicam que os partidos opositores carecem de força em nível nacional, propiciando que o CNA ultrapasse os 60% dos votos. Cleomar Souza, professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília, acredita que o passado de segregação alimente uma resistência a propostas distintas. “No inconsciente coletivo daquela maioria negra, não existe ainda, de forma competitiva, outro elemento político que possa ser mais confiável que o CNA. Por mais que Mandela tenha pacificado a África do sul, institucionalmente, ainda há, de maneira óbvia, alguns ranços que contaminam a tomada de decisão”, sustenta Souza.

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