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OPINIÃO: Para entender os conceitos da propaganda política

10 de setembro 2014 - 21h15 Por Bruno Barreto
OPINIÃO: Para entender os conceitos da propaganda política

Bruno Para entendermos os conceitos usados pelos principais presidenciáveis da eleição deste ano, precisamos antes entender o que é Propaganda Política. O mundo inteiro separa e entende muito bem a diferença entre Publicidade e Propaganda, mas no Brasil os termos são erroneamente usados como sinônimos. De forma bem resumida: a Publicidade é toda ação voltada para a divulgação do comércio, de produtos e serviços; já a Propaganda é usada para difundir ideologias, principalmente religiosas e políticas.

A Propaganda Política, como usamos hoje, por mais estranho que pareça, surgiu em grande parte na Alemanha nazista. Hitler afirmava que foi a propaganda que o permitiu se conservar no poder e que ela o levaria à conquista do mundo. Ele acreditava tanto na força da Propaganda Política que possuía um ministério específico para cuidar do assunto. E aí está o sentido para um governo tão perverso e atroz conseguir aprovação quase que unânime da sociedade da época.

Estamos muito distantes deste modelo, não estou fazendo qualquer comparação do cenário atual com o regime nazista. Estou apenas ilustrando que se a Propaganda Política conseguiu ‘vender ‘um governo como o de Hitler e de tantos outros ditadores mundo afora, podemos entender a força e a importância que ela tem para os governos, inclusive os democráticos.

A população em geral não acompanha o dia a dia dos bastidores da política brasileira, tudo que ela sabe sobre seus governos vem da imprensa e da própria Propaganda Política. Para algumas classes da população a Propaganda Política é mais eficaz que a própria mídia, muitos eleitores acreditam mais na ‘catequização’ feita pelos partidos políticos que nas reportagens sobre os mesmos partidos e/ou governos. Por isso, os governos investem tanto em Propaganda, para dirigir e influenciar a opinião pública.

Fazer e não divulgar não traz votos! Com isso, muitos políticos se preocupam mais com a propaganda que em “fazer” de fato. Muitos políticos estão mais atentados com as próximas eleições que com as próximas gerações. A população também tem sua parcela de culpa, pois muitos votam pensando em interesses individuais e não coletivos.

Por estes fatores, interpreto os termos “Mais mudanças”, “Mudar com responsabilidade” e “Nova política” mais como Propaganda Política que como propostas concretas de novos governos. Ninguém esperava as manifestações de junho de 2013, isso mexeu profundamente com a política brasileira. De uma forma geral, os protestos pediam mudanças na política e os três conceitos usados pelos presidenciáveis, com maior intenção de votos nestas eleições, partem deste acontecimento e tentam conquistar o voto de 70% da população, que, segundo as últimas pesquisas, esperam que o novo presidente tenha um governo totalmente diferente do atual.

O horário eleitoral que poderia ser o espaço para que os conceitos de “Mais mudanças”, “Mudar com responsabilidade” e “Nova política” ficassem claros para a população, na medida em que se aproximam as eleições, é mais usado para o ataque aos adversários e/ou para defesa que para divulgar propostas.

Não é fácil fazer qualquer previsão segura para as eleições presidenciais de 2014. Primeiro que em uma campanha nada é estático, um novo fato pode ocorrer e mudar tudo. Acrescido a isso, segundo as últimas pesquisas, ainda temos muitos eleitores indecisos e mais de 40% diz que ainda pode mudar de voto até o dia da eleição.  Estes dados mostram que grande parte dos eleitores não está satisfeita com o seu candidato, muitos estão escolhendo um candidato por rejeição a outro e não por se identificarem com suas propostas. Nenhum candidato, até o momento, conseguiu conquistar as massas que foram às ruas e canalizar seus votos.

*O autor é professor de Marketing Político do curso de Publicidade e Propaganda da Unigran

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