Piloto mentiu sobre origem da decolagem — Divulgação/FAB
O avião que transportava 653,1 quilos de cocaína e que decolou, segundo o piloto, de uma propriedade arrendada pela grupo Amaggi, que pertence à família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, localizada no Estado de Mato Grosso, está registrado em nome de uma pessoa que tem ligação com o capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande.
A aeronave está em nome de Jeison Moreira Souza, 26 anos, com a matrícula PT-IIJ. Dados estes constantes na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O modelo é o Piper Aircraft, com dois motores convencionais e que inclusive pode fazer voos noturnos.
Jeison residia na capital, em uma casa alugada no bairro Noroeste, mas abandonou o local, inclusive responde a processo na Justiça Estadual pelo não pagamento da dívida de locação, o valor cobrado é de R$ 2.832,50. Uma audiência datada de 11 de maio foi agendada, mas Jeison não compareceu. O aluguel era de R$ 550, no termo de contrato consta que Jeison é motorista, fato este que levanta suspeita de que ele seja um ‘laranja’.
Indícios apontam que a droga tem origem boliviana, o piloto preso teria dito que o avião foi carregado na fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo de Parecis (MT). O destino era chegar em Santo Antônio Leverger, o que não ocorreu. Um caça da FAB (Força Aérea Brasileira) que partiu da Capital interceptou o avião, chegando a fazer um disparo de advertência. O avião que iria pousar em um local determinado pela FAB, a poucos metros da pista arremeteu e o pouso ocorreu em uma fazenda no município de Jussara (GO).
Logo após o pouso o piloto se evadiu do local, vindo a ser preso horas depois. A descoberta e monitoramento da aeronave aconteceu no âmbio da Operação Ostium, que fiscaliza a fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia.
A Operação Ostium, tem envolvido à Polícia Federal e outros órgãos de segurança.
O grupo Amaggi informou não ter ligação com o avião bimotor e não autorizou pouso ou decolagem. "A região de Campo Novo do Parecis tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas, dada a proximidade com a fronteira do Estado de Mato Grosso com a Bolívia", informou em nota.
Outro dono
A mesma aeronave já pertenceu a Antonio Marques Duartez, paraguaio que morreu aos 24 anos em um acidente aéreo em Pedro Juan Caballero, na divisa com o município de Ponta Porã.
Conforme divulgado pela Veja, estava nesse acidente e faleceu, Mário Ney Chaves Pires. Investigado na CPI do Narcotráfico e pela Polícia Federal, segundo informações Ney pertencia a uma quadrilha que enviava cocaína colombiana para países do continente europeu.