Após leitura de seu relatório em julgamento no Cade nesta quarta-feira, Ragazzo pediu que o negócio seja desfeito, alegando que traria grandes prejuízos para o mercado e para os consumidores no Brasil.
"Raramente se vê nas análises antitruste uma operação em que a probabilidade de danos ao mercado e ao consumidor se mostre de maneira tão evidente", afirmou Ragazzo.
"A aprovação desse ato tem o condão (potencial) de causar o aumento de preços e danos extremos aos consumidores", acrescentou ele durante a sessão de julgamento do processo.
Segundo o relator, a BRF tem participação de mercado no Brasil superior a 50 por cento em todos os segmentos em que atua, com market share acima de 90 por cento em alguns deles.
Os comentários do relator durante a tarde fizeram as ações da BRF na Bovespa despencarem, com o mercado antecipando o voto contrário, que se confirmou quando o mercado já havia fechado.
O papel da empresa fechou o pregão regular desta quarta com queda de 6,27 por cento, enquanto o índice Bovespa perdeu 0,29 por cento. No after-market, a ação da BRF ampliou a queda para o limite, com desvalorização adicional de 2 por cento.
Após o voto do relator, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo. Com isso, a votação foi suspensa e deverá ser retomada na próxima quarta-feira, 15 de junho.