Cerca de 16% dos trabalhadores do setor bancário de Dourados desempenham as atividades de forma precária, por motivo de doença. “Hoje, na base do Sindicato temos em torno 800 bancários sendo que 6% estão afastados por motivo de saúde, e, em média, 16,2% estão trabalhando doentes, à base de medicamentos controlados”.
A informação é da diretora de saúde do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região, Ivanilde dos Santos Fidelis, reforçando um estudo concluído pela Contraf (Confederação Nacional dos Bancários) apontando que dois terços da categoria já sofreu com o assédio moral no País.
Em outro levantamento, conforme pesquisa realizada pela UnB (Universidade de Brasília), o número de tentativas de suicídio entre bancários já chega à média de uma por dia. “A cada 20 dias, um trabalhador ou uma trabalhadora do ramo financeiro acaba por consumar o ato”, relata Ivanilde.
O assédio moral é uma prática sistemática que atinge os trabalhadores de forma geral. Ele está diretamente relacionado ao método de gestão das empresas e à organização de trabalho, interferindo na auto estima e no desempenho do trabalhador. Os bancos são os principais alvo de denúncias.
“A pressão pelo cumprimento de metas abusivas é cada vez maior, e o número reduzido de funcionários, o estresse pela sobrecarga de trabalho, só tem aumentado”, segundo a diretora, apontando essas como as principais causas do adoecimento que levam trabalhadores a diversas manifestações de transtorno mental. As mulheres também são as maiores vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho, segundo o levantamento.
Punição
Na semana passada, o banco HSBC foi condenado a pagar uma indenização de R$ 67,5 milhões por danos morais coletivos por ter espionado a atividade de empregados entre os anos de 1999 e 2003. As informações são do MPT (Ministério Público do Trabalho) no Paraná após sentença proferida pela 8ª Vara do Trabalho de Curitiba.
De acordo com o MPT-PR, o banco contratou uma empresa para investigar funcionários afastados por motivos de saúde. 152 pessoas, em diversos estados do Brasil, foram investigadas pela empresa que chegou a seguir os trabalhadores pela cidade, abordando alguns com disfarces de entregador de flores e de pesquisador, além de mexer em lixos das casas dos investigados.