Diante do risco de falência de diversas empresas por conta de uma dívida superior a R$ 20 milhões da fábrica de nitrogenados da Petrobrás, representada pelo Consórcio UFN3, em Três Lagoas, com fornecedores, os empresários do município vão realizar segunda-feira (19), um manifesto pacífico na BR 262, na divisa da cidade com o Estado de São Paulo.
O objetivo da ação, que irá interditar o trânsito no local, é chamar a atenção para o problema que persiste há cerca de um ano e já causou forte impacto na economia local e do Estado.
A ação foi decidida após reunião ocorrida na manhã desta quinta-feira (15) entre empresários, e entidades representativas do segmento, entre elas a FAEMS (Federação das Associações Comerciais do MS), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), a prefeita de Três Lagoas, Márcia Moura (PMDB), secretários do Governo do Estado e deputados estaduais. “O governador Reinaldo Azambuja nos deu total apoio diante da grave situação que enfrentamos, já que os grandes danos econômicos não atingem apenas Três Lagoas, mas o Estado todo. Ele assegurou intervir junto à presidente da Petrobrás, Graça Foster, para buscar uma solução efetiva”, destaca o presidente da FAEMS, Alfredo Zamlutti.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas e vice-presidente da FAEMS, Atílio Carlos D’agosto, mais de mil trabalhadores já perderam o emprego diante da crise e, ainda esse mês, muitas empresas devem decretar falência na cidade. “Esse empreendimento da Petrobrás é de suma importância para o País, já que a expectativa de produção deverá atender cerca de 50% da América Latina com o fornecimento de nitrogenados, mas tamanha dívida está quebrando o setor empresarial do município”, alega D’agosto.
Todos os segmentos empresariais da cidade foram impactados com a dívida, já que para a construção da fábrica, foi inserida na cidade uma vila industrial com cerca de 10 mil trabalhadores, mantida através do comércio local. “Empresas de maquinários, concreto, transporte, rede hoteleira, setor alimentício e banheiros químicos são apenas alguns dos fornecedores sem receber. Muitas pessoas perderam seus empregos, já que o comércio e indústria estão em crise. 2014 registrou o pior Natal da década para o comércio na cidade e a economia estagnou”, avalia o empresário Jair Panucci, proprietário de uma fábrica de concreto afetada pela dívida.
Todo o crescimento econômico que Três Lagoas registrou nos últimos anos foi desestabilizado pela dívida milionária da empresa com o setor empresarial do município, na avaliação do presidente da FAEMS, Alfredo Zamlutti. “A geração de empregos caiu, o comércio parou e a população está sentindo o impacto da dívida diretamente”, pondera.