Com saldos devedores que chegam a até cinco meses, principalmente, com arrendatários de terra para a produção da matéria-prima usada na industrialização dos produtos que comercializa, a direção da Usina São Fernando reconhece que tem dificuldades para honrar alguns contratos, mas promete que “daqui pra frente” não vai atrasar mais os pagamentos e que o que houver em débito será colocado em dia.
A informação foi repassada pelos diretores Paulo Escobar, e o financeiro Luiz Fernando, após receberem na semana passada alguns membros da diretoria do Sindicato Rural de Dourados, preocupados com a situação de insolvência que levou o empreendimento ao processo de recuperação judicial. “É claro que essa situação não é boa para quem fornece e muito menos para a usina que possui hoje a maior planta entre todos os empreendimentos em operação no País”, avaliou o presidente do Sindicato, Lúcio Damália, após encontro com dirigentes do grupo.
Ao Douranews, o presidente do Sindicato Rural disse que ouviu de Escobar e do diretor financeiro que os salários do pessoal estão em dia, as compras atualmente só são feitas com pagamento à vista e que a prioridade é colocar em dia os contratos com os arrendatários. Recentemente, uma ação de cobrança levou policiais e oficiais de Justiça a cumprirem mandados no interior da empresa, de onde foram recolhidos tratores e máquinas agrícolas, mais tarde devolvidos ao pátio da usina.
A usina admite que a receita obtida na cidade ainda não atingiu um superávit necessário para fazer frente às despesas e que a prioridade, desde que a recuperação judicial foi iniciada, tem sido o pagamento dos salários dos mais de 3 mil funcionários da São Fernando. Ainda assim, garantiram os diretores, os contratos de parceria estão sendo acompanhados com atenção e a maioria está sendo colocado em dia. Em entrevista produzida pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a São Fernando garantiu que enxerga os parceiros como indispensáveis “porque são eles que nos ajudam a produzir a matéria-prima que é razão de existir da usina”.
Histórico
A reportagem do Estadão lembrou, ainda, que “mais da metade da dívida bilionária da usina de açúcar e álcool do empresário José Carlos Bumlai, amigo e conselheiro do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, está nas mãos de bancos do governo federal”. Quando obteve acesso ao processo de recuperação judicial, a dívida da empresa era de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 540 milhões em financiamentos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e pelo BB (Banco do Brasil) ainda durante o governo Lula.