Os representantes da usina São Fernando prometeram nesta sexta-feira (31), em audiência na sede do MPT (Ministério Público do Trabalho), em Dourados, que até o final da primeira semana deste mês a indústria vai regularizar as pendências trabalhistas com servidores que tem procurado o MPT para se queixar da usina.
Celso Resende, gerente de RH (Recursos Humanos) e a advogada Carolina Leite admitiram à procuradora do trabalho Cândice Gabriela Arosio que a São Fernando enfrenta sérias dificuldades por conta da redução do ritmo de produção. A usina tem 2400 funcionários e uma folha de pagamento estimada em R$ 6 milhões mensais.
Segundo os representantes, houve sensível queda na produção por conta das últimas chuvas. A média de moagem da ordem de 20 mil toneladas chegou a cair para pouco mais de 3 mil toneladas entre os meses de junho e julho.
Os trabalhadores reclamam que a empresa vem promovendo demissões em massa e deixando de recolher os valores relacionados ao plano de saúde e vale alimentação dos funcionários. “Eles garantiram que esses ressarcimentos vão ser regularizados até o quinto dia útil de agosto, e que as rescisões feitas já estão sendo pagas”, disse ao Douranews a procuradora Cândice Arosio.
Instabilidade
Por conta das dificuldades administrativas, a região vive um troca-troca no setor, deixando os funcionários sem acesso aos direitos trabalhistas nesse remanejamento e sem mais informações sobre o futuro da atividade. No meio da semana, trabalhadores e representantes sindicais dos funcionários das empresas Infinity Usinavi, em Naviraí e da São Fernando Açúcar e Álcool, de Dourados, procuraram o MPT em busca de soluções para pendências salariais.
A Usinavi, por exemplo, já confirmou o desligamento de 230 trabalhadores entre junho e julho deste ano, “só que não recolhe o FGTS desde 2009 e agora não tem como pagar os direitos trabalhistas”, denunciou o presidente do Sindicato da categoria, Altair Custódio. A São Fernando não confirmou, mas operários disseram ao Douranews que circulam rumores do desligamento de pelo menos 700 trabalhadores ao longo deste mês, por conta das dificuldades financeiras do grupo.