Tanta paixão resultou em números surpreendentes: no ano passado cada brasileiro consumiu quase 81 litros da bebida, segundo dados as ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café). Com esse consumo, o Brasil bateu seu recorde de 1965 e assumiu o segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos.
Os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida, adicionando ao café filtrado consumido nos lares, também os cafés expressos, cappuccinos e outras combinações com leite.
Mesmo com a valorização do café expresso, dentro e fora de casa, a cultura do café coado continua em alta, 93% dos apreciadores de café no Brasil costumam tomá-lo coado, em filtro de pano ou de papel. Para a barista Márcia Matta, consultora da marca Pilão, o tradicional cafezinho coado é um hábito mantido por gerações, que remete às lembranças da infância, aos cafés da manhã em família e ao clima de fazenda.
“Não é só no Brasil que esse método de preparo é um costume secular, na maioria dos países o café coado é o método de preparo por excelência, a exemplo do Japão, Escandinávia. Talvez se explique esta preferência pelo fato do café expresso ser mais concentrado, tendo suas características mais evidenciadas (sabor, aroma, acidez, doçura, amargor, aftertaste) e o café coado ser mais diluído, suave, podendo assim ser tomado em maiores quantidades”, comenta a barista.
Entenda a diferença
O café coado é o nosso café tradicional, onde, após ser aquecida (entre 90 e 95°C) a água é despejada sobre o café moído, podendo ser preparada em filtro de pano ou papel. O resultado é uma bebida menos densa que o café expresso, com aroma e sabores agradáveis ao paladar. A cafeteira para o café coado é mais simples, trabalhando apenas para aquecer a água e levá-la até o filtro de papel.
O café expresso é uma bebida preparada em máquina profissional, através da passagem, sob alta pressão (9bars), de água aquecida à 90°C pelo café moído compactado. O resultado deste processo é uma bebida com maior consistência, aromática e com uma quantidade maior de sólidos dissolvidos por volume onde todos os sabores e substâncias estão concentrados.
Os sabores básicos do café são mais perceptíveis em bebidas mais diluídas, leves e doces, como a filtrada, do que no expresso que é mais concentrado, encorpado, onde suas características são mais acentuadas e perceptíveis (aroma, acidez, doçura, sabor).
Há diferenças também quanto à cafeína, além da espécie de café utilizada (grãos da espécie arábica, têm metade da cafeína encontrada nos grãos do tipo robusta), pelo curto tempo de contato entre a água e o pó de café e pela pouca quantidade de água usada no método expresso, nem toda a cafeína é extraída. Desta forma, cafés filtrados costumam ter maior teor de cafeína do que os cafés expressos.