Dirigido por Cláudio Kahns, o filme, que começou como uma pesquisa para a realização de um longa-metragem de ficção ou uma minissérie de TV, não traz grandes novidades sobre a banda e se baseia em duas vertentes: entrevistas com familiares e outros conhecidos dos membros da banda e imagens de arquivo pessoal, feitas pelos próprios artistas durante apresentações e viagens.
A produção parte da história da banda Utopia e de como um rock mais sério deu lugar ao jeitão escrachado dos Mamonas Assassinas. Em 1990, durante um show do Utopia, que fazia covers de Legião Urbana, Titãs e Rush, o trio contou com a ajuda de um jovem da plateia para cantar uma música do Guns N'' Roses. O rapaz era Alecsander Alves, mais conhecido como Dinho. Já com Júlio e Dinho no grupo, a banda lançou seu primeiro disco, um fiasco que não vendeu nem 100 cópias.
Longe dos palcos, o bom humor dos garotos já rendia paródias e sons mais engraçadinhos, que faziam sucesso nas apresentações. Resolveram, então, mudar o estilo e o nome da banda e criar um novo jeito de fazer rock. Nascia o fenômeno Mamonas Assassinas.
Um momento bem aproveitado pelo filme é a guerra que os Mamonas Assassinas causaram entre as emissoras de televisão. Com o sucesso avassalador, o grupo era o convidado principal dos programas dominicais dos três maiores canais abertos da época, Globo, SBT e Manchete. Faustão e Gugu, por exemplo, disputavam a presença da banda no palco, o que, na época, era garantia de primeiro lugar no Ibope.
Na contramão do excesso de imagens antigas que compõem o filme, foram criados avatares responsáveis por garantir um pouco de humor, característica mais forte dos Mamonas. Assim, ao longo dos 84 minutos de projeção, Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio marcam presença por meio dos bonequinhos que fazem graça na tela. O efeito dá um ar mais leve à produção e anima o espectador, que pode se cansar com as sequências amadoras registradas pelos próprios músicos. O documentário evita explorar a morte prematura dos integrantes do grupo ao tratar a tragédia de forma respeitosa e narrar o que houve sem sentimentalismos.