Dono de um dos currículos mais invejados da teledramaturgia brasileira, Aguinaldo Silva não esconde: sempre quis ser roteirista de cinema. “A televisão foi um desvio, que me tirou do jornalismo e me levou a outra estrada, as novelas”, explica o pernambucano de 69 anos, coautor de sucessos televisivos como “Roque Santeiro” (1985) e “Vale tudo” (1989).
Ao longo das últimas três décadas, Aguinaldo manteve contatos esporádicos com a indústria de seus sonhos, que impressionam pela diversidade de gêneros. Escreveu desde tramas policiais (“Águia na cabeça”, 1984, de Paulo Thiago) a dramas de fundo social (“Como nascem os anjos”, 1996, de Murilo Salles), passando por sátiras infantojuvenis (“O Trapalhão na Arca de Noé”, 1983, de Del Rangel).
“Crô — O filme”, que chega hoje (29) aos cinemas, é uma nova tentativa do jornalista, dramaturgo e escritor de exercitar esse ecletismo cinematográfico. O filme é uma comédia rasgada que transforma em protagonista um personagem secundário da novela “Fina estampa” (2011), escrita por ele: o extravagante mordomo gay interpretado por Marcelo Serrado.
A ideia da transposição de Crô para o cinema foi sugerida pelo diretor Bruno Barreto, responsável pelo elogiado “Flores raras”, que está sendo lançado hoje em Los Angeles, dentro de um cronograma da campanha do filme com vistas ao Oscar. Aguinaldo garante que tomou cuidados para que “Crô — O filme” funcionasse independentemente da versão televisiva.
“A primeira precaução foi fazer um filme, e não as férias de alguns atores de televisão, o que se vê com frequência cada vez maior nas telas dos cinemas. O roteiro de “Crô” foi feito para o cinema”, ironiza o autor, ao jornal O Globo.