Cores, traços e vibrações traduzidos em peças delicadas, elegantes e cheias de estilo e qualidade. Assim é o artesanato produzido por detentas do Estabelecimento Penal Feminino de Regimes Semiaberto, Aberto e de Assistência às Albergadas de Dourados, no qual cada detalhe traz consigo manifestações estéticas que expressam não só o “sonho de liberdade”, representam também a esperança da utilização da arte como meio de transformar destinos.
Com um acervo variado, o ”ateliê” montado no presídio contém desde enfeites de mesa, bonecas e “porta-trecos” a esculturas e telas pintadas a óleo. Também são várias as técnicas empregadas, entre elas o mosaico, o crochê, a modelagem em E.V.A. e a decupagem em caixaria. Mas, independente do método aplicado, cada reeducanda expressa suas percepções, emoções e ideias, revelando detalhes únicos em suas criações.
“Eu termino uma peça e já fico imaginando como vai ser a outra, que cores vou usar, como vai ficar mais bonito e o que eu quero mostrar. Muitas vezes até à noite, quando eu não estou mais trabalhando, fico pensando nisso”, revela Glauce Kemilly Louveira de Assis Chaves, de 24 anos, que cumpre pena em regime fechado no local, mediante determinação judicial. Ela é uma das 25 internas que atualmente desenvolvem atividades de artesanato na unidade prisional. ”Sinto-me realizada e nem vejo o tempo passar quando estou trabalhando”, completa a artesã.
Nilva Aparecida Marques Mulina, de 41 anos, e Joice Aparecida da Silva, de 32, também cumprem pena em regime fechado no local e enxergam na atividade [aprendida no presídio por meio de cursos profissionalizantes oferecidos pela direção] uma forma de garantirem seu sustento. Elas pretendem abrir juntas um negócio no ramo. “Gostamos muito de trabalhar com isso, então conversamos e combinamos de montar um ateliê”, comenta Nilva. “Vai ser aqui em Dourados mesmo”, acrescenta Joice. Para as “futuras sócias”, além de ser uma ocupação produtiva e uma oportunidade profissional, o artesanato também as faz se sentir acolhidas.
Como não existe arte sem público, a direção do presídio sempre prepara exposições em vários setores da cidade. “Já expomos no Fórum, em shopping, universidade, escolas, igrejas, congressos etc.”, informa a diretora do presídio, Luzia Aparecida Ferreira. Segundo a dirigente, incentivar a confecção das peças artesanais e possibilitar o acesso a essas criações tem por objetivo despertar nas internas a autoestima para reconhecer suas reais capacidades.