O último dia de rock do Rock in Rio (antes do fim de semana "Pop in Rio") teve mais espaços vazios e um público que pareceu se poupar para o Slipknot.
Se o festival é um parque de diversões, o Slipknot foi o Castelo do Terror que faltava.
A banda de mascarados retornou ao festival após se apresentar em 2011 e foi a única a ganhar totalmente a plateia.
Embora os 85 mil ingressos tenham se esgotado, todos ficaram com a impressão de que a Cidade do Rock recebeu menos pessoas nesta sexta-feira.
O Rock in Rio não divulgou se o público foi menor que nas outras noites.
Teve (aparentemente) menos gente, mas quem foi viu Mike Patton, vocalista do Faith no More, mirando na plateia e acertando na grade e no chão.
Ele errou o pulo do palco e saiu mancando. Antes, o guitarrista Steve Vai botou seus fãs para cantarem riffs, em parceria com a Camerata Florianópolis.
O dia teve ainda dois shows bons mal recebidos (Mastodon e De La Tierra) e gente fantasiada mesmo com o calor de 39º.
Se o Rock in Rio tem cara de parque de diversões, o Slipknot é o Castelo do Terror ideal. O show desta sexta-feira (25) teve o mise-en-scène de horror de sempre - até uma chuva de papel picado, em momento "Carnapknot". O que faz diferença é que a música não é de brinquedo - continua boa. A banda de mascarados foi a única a ganhar totalmente a plateia nesta sexta. Antes, o Palco Mundo teve recepção morna (Faith No More) e fria (Mastodon e De La Tierra).
Há quatro anos, a banda fez grande abertura para o Metallica. Agora fez upgrade de categoria como atração principal. Corey Taylor parecia muito grato, falando bastante entre as músicas e pedindo "barulho para a família heavy metal". Teve até parabéns para o percussionista Clown. A banda está à vontade no cenário exagerado - não é por acaso que pretende abrir um parque com atrações de terror na Califórnia.
O Slipknot mostrou um som pesadíssimo desde o começo. Só deu para respirar um pouco no início mais calmo de faixas como a quebrada "Devil and I", do disco novo, ".5: The Gray Chapter". Essa, com levada mais quebrada, mostra que Corey Taylor, líder do Slipknot, aprendeu bem com o funk metal do Faith no More.
Depois de parecer disperso nas atrações anteriores, o público se mostrou muito atento no show de encerramento da noite. Teve rodinha de pogo armada antes mesmo de a banda entrar em cena (os fãs, aliás, foram organizados e delimitaram os pontos de encontro - físico - com antecedência). E elas não paravam nem no intervalo das músicas.
(Nota para quem acha que rodinha é bagunça: Quem nunca viu alguém cair no pogo e ser ajudado por uma multidão de estranhos para levantar não sabe o que é gentileza.)

5º dia do Rock in Rio
O show teve uma curva de empolgação. Começou insano, com "Sarcastrophe" e "Heretic Anthem". Músicas menos frenéticas, como "Killpop", aliadas a uma chuva fraca que começou a cair no meio do show, pareceram dar uma esfriada ali pela metade. O final retomou a energia, especialmente com "People=Shit", penúltima da noite.
".5: The Gray Chapter", que é o trabalho do Slipknot que mais tem músicas no set (cinco, ao todo), fala bastante sobre a morte do baixista Paul Gray. Ele morreu de overdose em 2010 por overdose acidental de morfina. Falar da perda do amigo torna o show "pesado e emotivo'", segundo Corey Taylor.
Como no Rock in Rio 2011 e como no festival Monsters of Rock 2013, em São Paulo, o Slipknot refez a sentada no chão com pulo coletivo na música "Spit it out". Ao que parece, pode repetir o mesmo expediente quantas vezes quiser. A resposta continua a mesma.