Bruna Fonseca, da Unidos de Vila Maria, "aqui assumimos uma personagem" — Marcelo Brandt
Elas são uns dos maiores símbolos da beleza e sensualidade da mulher brasileira. Desfilam com muito brilho e decote no sambódromo durante o carnaval e são alvos de muitos olhares quando estão à frente da bateria de suas escolas. Mas o que pensam as rainhas de bateria de São Paulo sobre o “fiu-fiu” no sambódromo e nas ruas? Qual é o limite em que olhares, sorrisos e cantadas dos admiradores passam a ser sentidos como um assédio?
O G1 conversou com elas, contou sobre o movimento “Chega de fiu-fiu” e perguntou o que elas acham. A campanha foi criada pela ONG Think Olga e tem como objetivo o fim do assédio em locais públicos.
Na avenida, as rainhas concordaram que o olhar e a cantada são diferentes do que elas escutam nas ruas. “Ao mesmo tempo em que tem a sensualidade, as pessoas ficam com aquele olhar de deslumbramento. Então é um olhar completamente diferente”, disse Ellen Rocche, rainha de bateria da Rosas de Ouro. “A avenida tem essa coisa da magia”.
Tati Minerato, rainha da Gaviões da Fiel, acha que o “fiu-fiu” nos desfiles “faz parte”. “Na avenida tudo bem, porque a gente está mesmo sensual, com uma roupa mais ousada, e a gente quer mesmo confete, aplauso, tudo isso”.

Tati Minerato, rainha da Gaviões da Fiel, acha que o fiu-fiu no sambódromo faz parte
Aline Oliveira, da Mocidade Alegre, concorda: "Durante o desfile é normal e dá moral para a gente sambar mais". A rainha de bateria da Unidos de Vila Maria, Bruna Fonseca, também disse que na avenida não se incomoda. “A gente assume, não só eu, mas as musas, os destaques, a gente assume um papel de um personagem né”, argumenta.
Já nas ruas, a opinião das rainhas é praticamente unânime: as cantadas não são bem-vindas. “Sinto dizer a todos os homens que isso é lamentável pra quem acha que isso é elogio”, disse Simone Sampaio, rainha de bateria da Dragões da Real.

Aline Riscado já foi atrás de homem tirar satisfação após uma cantada no shopping
Aline Riscado, rainha da Acadêmicos do Tucuruvi, disse que o respeito é importante em qualquer lugar. “Quando falta com o respeito pode ser na avenida, pode ser num ensaio fotográfico, pode ser de qualquer forma que é constrangedor, acho que nenhuma mulher gosta”.
Aline ainda contou sobre uma situação em um shopping na qual ela foi atrás do homem tirar satisfações. Ele se assustou, pediu desculpas, e "quase fugiu", segundo ela. “Os homens na verdade que fazem isso são covardes, eles acham que a gente nunca vai reagir e que nós somos mais fracas do que eles”.
Ellen Rocche disse que, quando a mulher começa a se questionar se a culpa é dela ou da roupa que veste, é porque a cantada já virou assédio e agressão. “Isso é muito sério, porque tem um monte de mulher que é estuprada ou sofre assédio no trabalho e que acha que é culpada”.

Ellen Roche é rainha de bateria da Rosas de Ouro e contou o qu epensa sobre o fiu-fiu