Programa de entrevista de Leda Nagle com Eduardo Moreira foi transmitido na segunda-feira — Reprodução
A Câmara de Dourados emitiu ‘nota de repúdio’ no final da tarde desta sexta-feira (21), após a propagação do trecho de um vídeo em que a jornalista Leda Nagle entrevista o coordenador do projeto “Brasil de Verdade”, empresário Eduardo Moreira, onde classifica de ‘preconceituosas’ as declarações dele contra a população de Dourados. O empresário afirma que “em Dourados, as pessoas comem restos de comida, moram em lugares que não tem água, sem rede de esgoto e sem rede elétrica, dormem uma hora por noite com medo de serem mortas pelas milícias”.
“Na condição de representante do cidadão douradense, a Câmara de Dourados classifica como inaceitáveis as considerações e repudia qualquer manifestação preconceituosa, ofensiva e infundada que promova a desvalorização da sociedade douradense”, diz a nota assinada pelo presidente da Casa, vereador Laudir Munaretto (MDB).
As declarações do coordenador do projeto “Brasil de Verdade” não refletem a realidade vivida em Dourados, município que, conforme sustenta o presidente da Câmara “tem como principais características a força do trabalho e a capacidade de produção, se colocando como um importante polo agropecuário, universitário e de prestação de serviços da região Centro-Oeste”.
“A potencialidade de Dourados e de sua gente escancara um cenário totalmente diferente ao apresentado pelo empresário ao longo da entrevista, onde demonstra total desconhecimento da realidade vivida no município em declarações discriminatórias, preconceituosas e irreais”, conclui. Centenas de comentários nas redes sociais também condenaram a fala do empresário, que voltou a se manifestar sobre o assunto, reiterando o conteúdo da entrevista.
No Estado
O assunto repercutiu também em nível de Estado, conforme moção de repúdio protocolada pelo deputado Marçal Filho (PSDB) na Assembleia Legislativa, considerando “míopes e carregadas de preconceito contra o nosso povo” as declarações de Moreira. “Suas palavras foram ofensivas, grosseiras e levianas, e não refletem a realidade dos mais de 225 mil munícipes que vivem na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul”, diz trecho da moção proposta pelo deputado douradense.
Para o deputado Barbosinha (DEM), quem vive, no cotidiano, os problemas de Dourados, "sabe que temos algumas particularidades, e eu tenho chamado a atenção para isso, junto do Governo, cobrando da Sesai (a Secretaria de Saúde Indígena), uma politica de melhor acompanhamento, mais infraestrutura, melhores condições de saneamento, mas, isso aqui não é 'terra sem lei', não podemos aceitar o ataque violento a Dourados da forma como se deram essas declarações".