Preparar mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho. Este é o objetivo do programa Qualifica Dourados, desenvolvido pela Prefeitura de Dourados por iniciativa do prefeito Murilo e através das Secretarias municipais de Assistência Social e de Agricultura, Indústria e Comércio. Desde agosto deste ano, o programa oferece cursos de capacitação nas áreas de construção civil, alimentação e confecção e vai beneficiar, em um ano, pelo menos 1.200 pessoas.
Os cursos de massas alimentícias, costura em tecidos planos, malha e lingerie, padeiro, confeiteiro, pedreiro, eletricista, gesseiro, pintor, encanador, carpinteiro, aplicador de cerâmica e gestão de pessoas foram definidos após pesquisa elaborada pela Semaic por determinação do prefeito Murilo, que apontou a falta de profissionais nestas áreas.
Segundo o prefeito, as pessoas têm o sonho de melhorar de vida. “Temos a obrigação de fazer esse sonho ser realizado. Estamos trabalhando firme para o desenvolvimento da nossa cidade, preparando o morador dos bairros, o trabalhador indígena e dos distritos, através do Qualifica. Este é um passo importante”.
“A dificuldade para encontrar mão-de-obra preparada é perceptível devido ao interesse das empresas nos alunos do Qualifica Dourados. Sete empresas nos procuraram, antes mesmo de ser iniciada a capacitação, com desejo de contratar os novos gesseiros, treinados pelo programa, possibilitando a inserção de mais de 50 novos profissionais no mercado de trabalho”, afirmou a secretária de Assistência Social Ledi Ferla.
De acordo com a secretária, o objetivo é oferecer opção para a comunidade não depender apenas dos programas assistenciais, mas ser independente financeiramente, através de uma capacitação que atenda exigências do mercado.
Cooperativa
E a iniciativa tem dado certo. No curso de pintor, realizado no Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência Dorcelina Folador, por exemplo, todos demonstram a satisfação em aprender uma nova profissão e das oportunidades que estão surgindo.
É o caso de Maria Aparecida Moreira, 36 anos, que estuda montar uma cooperativa com mais cinco alunas do curso de costura em malha, realizado no Cras (Centro de Referência em Assistência Social) do Canaã I. Durante o curso elas, que exibem os uniformes feitos durante as aulas, aprendem sobre as peças e manutenção da máquina de costura.
“Antes eu fazia alguns reparos em roupas, mas em máquina doméstica. Aprendi a manusear máquina industrial, que possibilita um acabamento mais profissional, o que ajudou bastante em meu trabalho, afinal cada centavo tem feito a diferença. E se der certo nosso projeto, não será só a minha renda que vai melhorar, mas de todas que entrarem nesse novo negócio”, afirma a costureira.
Ela conta que já receberam a proposta de obter maquinário em troca da mão-de-obra, facilitando o início da cooperativa, e na falta de espaço, cogitam até mesmo construir um salão nas próprias casas.
Quem estimula a nova vida de Maria e suas colegas é a instrutora Lucimar Antunes, que acompanhou o desenvolvimento de cada uma ao longo do curso e como cada uma aproveitou a oportunidade oferecida.
“Este curso foi um presente da prefeitura para a população. Curso de costura tem um valor muito alto. Não tem escola no município que ofereça o que elas têm aprendido sem custo algum. Assim só não caminha quem não tem vontade, porque sem dúvida o investimento foi feito, e aqui, neste grupo, foi aproveitado ao máximo. O Qualifica tem que continuar”, aponta a instrutora.
Conforme a instrutora, a área tem conseguido absorver os novos profissionais que surgem, e exemplifica que, devido à falta de mão-de-obra, tem empresário que envia peças para serem confeccionadas no Paraná.
Nova ProfissãoO programa contribui ainda para que alguns conheçam uma nova profissão, como Antônio Aparecido Guimarães Filho, 59. Ele diz que sempre almejou aprender a pintar para colaborar mais com a renda da família, e que após as aulas já conseguiu até alguns serviços.
“A melhor coisa lançada pela prefeitura foram estes cursos. Tem tanta gente parada sem uma chance devido à desqualificação. No meu tempo, todo mundo tinha que aprender lutando, pois não tinha quem queria ensinar. Aqui não, temos material e um professor bem preparado. Serei grato pelo resto da minha vida por poder participar e conseguir aprender uma profissão que sempre quis conhecer”, ressalta Antônio Filho.
Para José da Silva, 64, este foi um bom momento para participar do curso. Aposentado e proprietário de um pequeno comércio, ele fala que além de aprender mais sobre as técnicas da pintura, fez novas amizades e vai poder ajudar os vizinhos. “Muitos hoje em dia querem te enganar, mas agora não, eu mesmo vou poder pintar meu bar, além de ajudar minha vizinhança com serviços mais simples, como já tenho feito”.
Para o instrutor do curso Mauro Francisco, o mercado realmente tem sentido a falta destes profissionais. “Tem uma empreiteira interessada em contratar aqueles que se destacarem no curso, pois há falta desse tipo de mão-de-obra. Neste curso tenho aluno de 20 a 64 anos, todos dando tudo de si para aprender. Dos anos que dou aulas de pintura, esta é uma das equipes mais dedicadas, têm até dois alunos que pediram dispensa do Exército no horário do curso para participar, pois sabem que todo tipo de qualificação é preciso para não ficar desempregado”, observa.
CriatividadeCom a disponibilidade de instrutores e materiais, os cursos, que são gratuitos, exigem dos alunos apenas dedicação, empenho e em alguns casos, criatividade. É o caso da qualificação de massas alimentícias. Uma das turmas se reúne no Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência.
De acordo com a instrutora Silvania Lucena, mesmo com um planejamento montado, as alunas sempre sugerem novas receitas. Ela explica que o interesse é fundamental para o aprendizado e que o desenvolvimento de cada uma é perceptível, uma vez que elas já atuam independentes na cozinha, mas com supervisão.
“Antes eu precisava explicar alguns passos, hoje elas fazem sozinhas, se arriscam mais. Elas aprendem que mesmo que falte um ou outro ingrediente, desde que não seja a base da receita, é possível inovar, utilizar outro produto e não perder a qualidade, basta um pouco de criatividade. Além de tudo existe a socialização e troca de experiência entre elas. Eu sempre aprendo coisas novas também”, explica a instrutora.
Quando as alunas resolvem experimentar algo que não está inserido no plano de ensino, conta Lucena conta, cada uma contribui de algumas e elas compram ou até mesmo levam de casa os ingredientes e se arriscam a aprender.
“Foi assim com café cremoso. Como nossas aulas são especificamente de massa, essa é uma receita que não faz parte do trabalho, mas todas quiseram experimentar, então foi só juntar os ingredientes e testar. Isso que é importante esse desprendimento e interesse em conhecer coisas novas, pois o curso e o instrutor podem ser de qualidade, mas se não houver interesse não adianta”, afirma Lucena.
Formatura
A primeira turma do programa Qualifica Dourados a concluir o curso foi de corte e costura industrial, realizado em parceria com o Senai. Os certificados das 17 participantes foram entregues no dia 13 deste mês.
VagasO programa ainda disponibiliza vagas para os cursos de encanador (5), aplicador de cerâmica (12), gesseiro (13), pedreiro (14), que serão realizados em Dourados. As vagas para padeiro (12) são para atender moradores do Panambi, e massas alimentícias (10) para população da Picadinha. As aulas vão começar após a formação completa das turmas. Todos os cursos serão encerrados até dezembro e retomados em fevereiro.
Para a inscrição, o interessado deve apresentar cópia do RG, CPF, comprovante residência e atestado de escolaridade, uma vez que o pré-requisito é a formação mínima no 5º ano do ensino fundamental (antiga 4ª série).
A maioria dos cursos exige idade mínima de 18 anos, mas a qualificação alimentícia pode ser feita por jovens com 16.
As inscrições devem ser feitas na Secretaria de Assistência Social, localizada na Rua João Rosa Góes, 395. Mais informações através do telefone (67) 3411-7746.