Com de 160 mil unidades, o Brasil encabeça a lista de países que mais possuem correspondentes bancários, de acordo com pesquisa feita pelo CGAP (Consultative Group to Assise the Poorest) em parceria com o Banco Mundial, divulgada na Febraban (Federação Brasileira de Bancos). A diferença para o segundo colocado é gritante. O Quênia, segundo da lista, tem 24 mil correspondentes. Em seguida, surgem Filipinas (20 mil), Paquistão (18 mil), Índia (10 mil), África do Sul (7 mil) e Colômbia (6 mil).
O presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região, Raul Verão, afirma que a política do sistema financeiro brasileiro “é perversa e excludente”. Segundo ele, enquanto os clientes das classes A e B são tratados de forma diferenciada, com direito a agência própria, “grande parte da população, de menor poder aquisitivo, é encaminhada aos correspondentes, locais sem segurança adequada e serviço prestado de forma precária”.
Os bancos continuam desenvolvendo formas de não contribuir com o desenvolvimento econômico e social do país. Os correspondentes bancários foram criados a pretexto de atender regiões desassistidas de atendimento, mas virou símbolo do preconceito, discriminação e exclusão do sistema financeiro. “É para lá [os correspondentes bancários] que os bancos empurram os mais pobres”, denuncia Raul Verão.
Precarização do trabalho
No Brasil, 84% dos correspondentes atuam em nome de instituições bancárias. De cada dez correspondentes, nove atendem a clientes e usuários de bancos. Apesar de os funcionários das terceirizadas cumprirem trabalhos semelhantes aos dos bancários, ganham menos e não possuem direitos garantidos. Geralmente a remuneração destes trabalhadores comparada a dos bancários formalmente contratados equivale a um terço destes.
No caso das lotéricas, que são os correspondentes exclusivos da Caixa Econômica Federal, os trabalhadores lotéricos ganham 18% da remuneração média dos empregados da Caixa. "As lotéricas são hoje responsáveis por mais de 70% do volume de atendimento de alguns serviços da Caixa, realizando o mesmo tipo de tarefa”, cita o sindicalista, o que não difere dos demais correspondentes, que executam tarefas idênticas, mas a remuneração é ínfima comparada com a dos bancários.
Já no caso dos financiários, por exemplo, que realizam financiamentos, CDC, operações de crédito, não há qualquer diferença entre o trabalho realizado entre eles e os correspondentes. “Na verdade, as empresas incorrem e recorrem a fraudes trabalhistas para pagarem salários reduzidos e ganharem mais”, finaliza o presidente do Sindicato dos Bancários.