Pela primeira vez em 20 anos, o número de brasileiros na classe de renda mais alta do país está maior do que o da camada mais pobre. Estudo do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) divulgado domingo (27) na coluna do jornalista Ancelmo Gois, no jornal O Globo, mostra que o ano passado terminou com 10,3 milhões de pessoas ou 5,2% da população na classe alta-alta, que inclui as famílias com renda per capita mensal acima de R$ 2.555,50. Na classe baixa-baixa, que abriga pessoas com renda de até R$ 83,20 por mês, havia 7,97 milhões, ou 4% da população total do país.
Em 2011, essas classes tinham praticamente o mesmo tamanho: 4,7% dos brasileiros estavam no topo dessa pirâmide e 4,8%, na base.
Quando se olha as últimas décadas, o avanço foi enorme: em 1992, apenas 2,1% da população estavam no grupo de renda mais alta e 15,5% entre aqueles com menores ganhos.
“É uma tendência, um pouco resultado das políticas que estão fazendo com que a pobreza vá desaparecendo do país. No grupo da pobreza extrema, o Bolsa Família foi fundamental. Porém, o que mais contribuiu para a migração das pessoas da renda baixa-baixa para baixa-média ou baixa-alta foi a melhora do mercado de trabalho”, diz o economista Manuel Thedim, que elaborou o estudo com base nos números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e usou os critérios de classe e renda adotados pela SAE (Secretaria Assuntos Estratégicos) da Presidência da República.