É costumeiro encontrar em Dourados vendedores ambulantes comercializando frutas nas avenidas da cidade. São carrinhos e até caminhões estacionados em pontos estratégicos para a venda de laranja, melância, morango, abacaxi e outras frutas de época. Os produtos são oferecidos assim mesmo, à beira da rua, facilitando a compra, pois nem sempre as pessoas tem tempo de ir ao mercado ou a uma frutaria e acabam comprando dos vendedores ambulantes mesmo.
Antonio da Silva, de 57 anos, é feirante e vendedor ambulante em Dourados. Ele conta que vender frutas nas ruas já rendeu algum lucro, mas hoje em dia é difícil, pois a concorrência com o grandes, atacadistas e as redes de supermercados, acaba impondo preços que ele não consegue praticar, e nem a maioria dos ambulantes e feirantes da cidade.
“Antes era mais fácil. A população preferia qualidade da fruta e não olhava tanto para o preço, hoje está difícil, depois que grandes mercados chegaram na cidade nosso lucro foi quase a zero. Eles vendem o quilo da fruta com o mesmo valor que nós compramos na roça ou do distribuidor. A concorrência é muito desigual”, comenta.
Segundo ‘seo’ Antonio, a melancia que ele vende no valor de R$ 2,00 o quilo chega a ser comercializada por R$ 0,40 nos grandes mercados e isso vem inviabilizando a venda de frutas.
“Eu conheço gente que perdeu até a casa que morava. Para que você obtenha algum lucro é necessário se desdobrar. Comprar o produto e só pagar para o distribuidor, quando você consegue vender tudo, tá ficando impraticável”, conta Silva.
Como se não bastasse o baixo lucro [em torno de mil reais por mês], existem consumidores que chegam a discutir com o vendedor ambulante pelos preços que são praticados por eles. “Hoje chegou um rapaz aqui, perguntou o preço e eu falei, aí ele ficou bravo dizendo que era roubo, que tinha lugar com produto com valor bem menor, mas será que ele olhou a qualidade?”, questiona o comerciante.
Facilidade aprovada
Do outro lado da moeda, existem consumidores que ficam satisfeitos em poder contar com o serviço prestado pelos vendedores ambulantes de frutas. Alguns deles relatam a facilidade em adquirir o produto, a qualidade e o bom atendimento.
Marcelo Araújo, de 37 anos, prefere os produtos que encontra nas esquinas da cidade. Para ele, a venda ambulante de frutas é algo positivo, principalmente para quem tem pouco tempo. “Sempre compro frutas dos ambulantes. Encontro melhor atendimento, mais qualidade nos produtos, assim consigo suprir minhas necessidades, o tempo e a alimentação”, relata.