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Mulheres de Dourados ‘descobrem’ novo mercado de trabalho

24 de novembro 2013 - 11h05 Por Redação Douranews
Mulheres de Dourados ‘descobrem’ novo mercado de trabalho

Maria Cremilda Nascimento, de 44 anos, Rosangela Cistina Vicente, 40, e Cláudia Ramires, de 37, garantem que hoje têm uma vida melhor graças ao trabalho na construção civil em Dourados. Para garantir essa mesma oportunidade a mais mulheres, o prefeito Murilo Zauith (PSB) decidiu criar um curso específico para prepará-las para o mercado de trabalho.

O curso ainda está sendo formatado para atender exatamente as áreas que mais requerem o trabalho da mulher na construção civil, principalmente de acabamento. É fato entre os construtores que na área de acabamento elas são imbatíveis, segundo levantamento feito entre os empreiteiros da área.

“Dentro do Qualifica Dourados vamos criar no ano que vem um curso de acabamento da construção civil voltado para as mulheres. Vamos capacitar as douradenses interessadas em trabalhar nessa área que cresce muito em nossa cidade, para melhorar a renda e qualidade de vida das famílias”, afirma Murilo.

Rosangela é casada e mãe de quatro filhos [de 17, 14, oito e seis anos], e deixou o serviço de empregada doméstica há três anos quando decidiu entrar para a construção civil. Ela conta que ouviu anúncio de carro de som sobre a contratação de trabalhadores para a construção dos condomínios da Engepar em Dourados, fez a entrevista, foi contratada e está até hoje no mesmo emprego.

Cláudia é colega de Rosangela na construção do condomínio de apartamento Arezzo, na Vila Toscana, na região oeste de Dourados. Casada, mãe de três filhos [de 12, nove e sete anos], Cláudia trocou o trabalho na agricultura na aldeia Bororó por um salário fixo na obra, também há três anos.

As duas mulheres “são pau pra toda obra”, como diz o jargão popular. Elas fazem e transportam massa comum e de concreto, assentam tijolo, trabalham em rejuntes, atuam na limpeza, operam equipamentos e nos dias de tempo ruim até capinam o pátio de obras.

Quanto ao salário, a construção civil paga bem melhor que outras áreas. Elas entraram na obra sem nenhuma experiência e hoje recebem em torno de R$ 900 por mês, com carteira assinada. Antes, Rosangela ganhava em torno de R$ 200 como diarista e Cláudia muito pouco com uma lavoura de mandioca na aldeia indígena. Hoje, Cláudia paga uma pessoa para fazer o plantio e a capina da roça, enquanto atua na mão-de-obra urbana.

A dupla jornada é possível vencer com a organização, segundo elas. Rosangela mora bem perto da obra, no Jardim Novo Horizonte, mas Cláudia precisa percorrer 15 km de bicicleta, ao lado do marido Arlindo Vera, que trabalha na mesma obra. À noite e nos fins de semana é preciso cuidar da casa e dos filhos. Elas asseguram que nunca sentiram preconceito por parte dos homens. “Eles ajudam a gente e ensinam”, afirma Cláudia.

Em outra obra, do outro lado da cidade, perto do Jardim Guaicurus, trabalha Maria Cremilda, casada e mãe de três filhos, dois já independentes. Ela deixou o trabalho de camareira para se arriscar na construção civil e se deu bem. O salário saltou de R$ 500 a 700 para R$ 1.000 a 1.300.

“Sinceramente eu não volto mais; vou ficar por aqui mesmo”, diz a mulher, que no dia da entrevista fazia pintura em uma das casas do Residencial Harrison de Figueiredo II, que será entregue ainda este ano.

Cremilda, que mora no Jardim Guaicurus, também não vê preconceito dos homens. “A gente trabalha mano a mano, igual a eles”, afirma. Assim como Rosangela e Cláudia, Cremilda não teve capacitação para a área e teve de aprender na obra.

Para o supervisor administrativo da Engepar, Marcelo Junqueira, as mulheres são muito importantes na construção civil. “Em algumas áreas elas vão melhor que os homens, como nos acabamentos, por exemplo”, afirma. A empresa onde ele trabalha emprega em torno de 60 mulheres entre os 300 trabalhadores.

Já o engenheiro civil Thiago Ferreira Silva, da Coplan, empresa que constrói o Residencial Harrison de Figueiredo II, afirma que as mulheres são bem mais assíduas ao trabalho e dificilmente faltam. “Elas são bem mais caprichosas na questão do acabamento e têm mulheres que produzem até mais que os homens”, afirma.

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