Como parte do projeto inédito de qualificação profissional desenvolvido pelo Senai de Mato Grosso do Sul em Angola para atender a demanda de uma indústria sucroenergética do Grupo Odebrechet na África, a equipe do Senai de Dourados já capacitou 530 trabalhadores de janeiro a maio deste ano e, até setembro, serão formados mais 240 angolanos, totalizando 770 colaboradores da cidade de Cacuso. A capacitação de 770 trabalhadores angolanos é o complemento de uma parceria iniciada em 2010 no Estado, quando o Senai qualificou 60 angolanos para atuar na usina que o grupo está construindo na África.
Segundo o diretor-regional do Senai, Jesner Escandolhero, os profissionais sul-mato-grossenses estão reproduzindo em Angola a experiência bem sucedida já obtida na realização de cursos em 2010 para atender a indústria sucroenergética do mesmo grupo. "O trabalho reforça a parceria do Senai e a Odebreccht por meio da experiência que se desenvolveu no atendimento à empresa desde que se instalou no Estado", disse ele, completando que a expertise do Senai de Mato Grosso do Sul na qualificação profissional para a indústria sucroenergética é reconhecida nacionalmente pelas empresas do segmento.
O instrutor do curso de soldador e torneiro mecânico do Senai, Aparecido Ferreira da Silva, falou da oportunidade de compartilhar o mesmo conhecimento oferecido pela entidade em Dourados. "Trabalho no Senai de Dourados há 28 anos e nunca imaginei que um dia pudesse dar aulas em outro país. Quando me fizeram o convite para ir para Angola, não pensei duas vezes e já me sinto privilegiado em repartir o aprendizado com nossos irmãos angolanos", disse.
Ex-presidente
No início de maio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o centro de formação do Senai de Mato Grosso do Sul na cidade de Cacuso, bem como a usina Biocom de produção de açúcar, etanol e energia de biomassa, que está em processo de implantação pelo Grupo Odebrechet no município africano. Ele fez questão de conversar com os instrutores e professores do Senai que estão capacitando os trabalhadores angolanos para atuar na Biocom, de capital brasileiro e angolano.
A empresa de plantação e processamento de cana-de-açúcar, hoje já planta 6 mil hectares de e irá produzir em 2018, quando concluir sua primeira fase de implantação, 180 mil toneladas de açúcar, para substituir as importações que Angola faz hoje do produto, além de etanol e biomassa. A colheita é completamente mecanizada, com 95% dos equipamentos utilizados na usina comprados do Brasil e o projeto conta com 2.400 funcionários, mais de 90% deles angolanos.
Aparecido disse que mostrou ao ex-presidente o funcnionamento do curso para os angolanos e Lula aproveitou para dizer aos alunos que quem estuda no Senai "pode ser até presidente da República", comparando a própria realidade dele, formado torneiro mecânico em cursos semelhantes a esses, de qualificação profissional.