“É radical essa decisão”. Assim se manifestou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ao tomar conhecimento do resultado de assembleia realizada pelos professores da rede estadual de ensino que rejeitaram a proposta do governo de reajuste e decidiram paralisar as atividades a partir de quarta-feira (27) em Mato Grosso do Sul. O Governo propôs conceder reajuste de 4,97% e manter as negociações do piso nacional e da reposição anual dos salários.
“Infelizmente eles estão radicalizando”, disse Azambuja. Ele lembrou a crise pela qual o País passa, bem como a retração da economia, além de corte de R$ 70 bilhões de recursos da União, que deve ser anunciado pela presidente da República, Dilma Roussef (PT). “A realidade da União não é diferente. Houve perda de receita e aumento de despesa”, pontua.
Os profissionais da educação se reuniram em assembleias nos 73 municípios filiados à Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), na quinta-feira (21) e nesta sexta-feira (22) aconteceu a assembleia-geral da categoria. A maioria dos municípios deve aderir à greve, segundo informou o presidente da Fetems, Roberto Botareli.
Reinaldo Azambuja voltou a lembrar que o Estado tem o terceiro maior piso do País, atrás do Amapá e Distrito Federal, cujos recursos da educação são bancados pela União. O governador disse também da intenção de acionar a Justiça para revogação da lei, considerada por ele, ‘arbitrária e inconstitucional’, aprovada pelo ex-governador do Estado, André Puccinelli, que parcela em quatro vezes o cumprimento do piso para alcançar o nacional até 2018.
A negociação deve continuar, segundo o governador, que afirma manter diálogo para trazer os professores de volta à sala de aula. “O diálogo não vai se esgotar”. No entanto, os profissionais afirmam não abrir mão do reajuste de 10,98%. A rede estadual conta com 270 mil alunos em 362 escolas.