Buscar terça-feira, 1 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Finanças Pessoais

Usinas demitem, mas não pagam trabalhadores

29 de julho 2015 - 15h52 Por Redação Douranews
Usinas demitem, mas não pagam trabalhadores

A Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul) não confirma, mas mudanças profundas estão acontecendo no comando do setor de moagem e produção de açúcar, álcool e etanol no Estado. Usinas da região estão trocando de dono, e pior, deixando os funcionários sem acesso aos direitos trabalhistas nesse remanejamento.

Apenas na manhã desta quarta-feira (29), trabalhadores e representantes sindicais dos funcionários das empresas Infinity Usinavi, em Naviraí e da São Fernando Açúcar e Álcool, de Dourados, procuraram o MPT (Ministério Público do Trabalho) em busca de soluções para pendências salariais.

A Usinavi, por exemplo, já confirmou o desligamento de 230 trabalhadores entre junho e julho deste ano, “só que não recolhe o FGTS desde 2009 e agora não tem como pagar os direitos trabalhistas”, denunciou o presidente do Sindicato da categoria, Altair Custódio, ao Douranews. A São Fernando tem como meta promover o desligamento de pelo menos 700 trabalhadores até o começo de agosto, porém, também não tem previsão de pagar ninguém.

Um exemplo foi mostrado ao procurador Jeferson Pereira, no MPT (Ministério Público do Trabalho), na manhã desta quarta, pelo demitido Diego Figueredo Cruz. Motorista na usina São Fernando, ele foi desligado do trabalho no dia 14 e teria até quinta-feira (23) passada para concluir a rescisão trabalhista. A usina o procurou e disse que não tinha como acertar a rescisão, deixando o contrato em aberto.

mpt fila

Trabalhadores demitidos fazem fila no MPT em busca dos direitos trabalhistas

O representante da Usinavi no encontro com procuradores do MPT em Dourados confirmou ao Douranews que o grupo Bertin está deixando o controle da empresa e um novo acionista deve assumir nos próximos dias. Essa mudança deverá possibilitar a injeção de pelo menos R$ 78 milhões no empreendimento do grupo, porém, só para acertar o que está atrasado, segundo o Sindicato dos Trabalhadores do setor, seriam necessários cerca de R$ 30 milhões.

Apesar de ter anunciado um aumento de 19,5% no volume acumulado de cana-de-açúcar processada até a primeira quinzena de julho, correspondente a 17,13 milhões de toneladas, em relação a 2014, o relatório da Biosul apontou que na primeira quinzena de junho foram processas apenas 1,25 milhão de toneladas de cana, 46,6% a menos que no mesmo período na safra passada.

Até a primeira quinzena de junho, também, foram produzidas 438 mil toneladas de açúcar, quantidade 14,5% maior que a produção registrada anteriormente, que foi de 383 mil toneladas.

Dados referentes à produção de etanol registram que até o dia 15 de julho foram produzidos 230 milhões de litros de etanol anidro e 742 milhões de litros de etanol hidratado, resultando 973,4 milhões de litros de biocombustível produzido, volume 24% maior que na safra 2014/2015.

Chuva e baixa produção

Nessa quinzena o índice de chuvas foi de 97mm na região produtora, mais que o dobro da média dos últimos 10 anos e isso atrapalhou em muito a moagem das usinas, com isso Mato Grosso do Sul, nessa quinzena, teve a pior produção das últimas 5 safras, de acordo com a entidade.

O presidente da Biosul, Roberto Hollanda, admite que a primeira quinzena do mês foi uma das piores da história do Estado, “com as usinas paradas, em média, por 12 dias”.

Leia Também