E se Pelé tivesse sofrido uma contusão que lhe abreviasse a carreira no início da sua 11ª temporada como jogador, em 1966? Teria recebido todo reconhecimento que merecia mesmo tendo vencido duas Copas do Mundo, uma delas praticamente sem jogar, e com pouco mais da metade dos quase 1.300 gols que marcou?
E se Muhammad Ali tivesse aceitado a convocação para lutar na Guerra do Vietnã, e voltado de lá mutilado ou morto, como milhões de outros jovens americanos, o mundo teria reconhecido sua importância para o esporte, com apenas um dos três títulos mundiais dos pesos-pesados que conquistou?
Ao contrário de outros grandes gênios do esporte, Ayrton Senna teve a trajetória interrompida na plenitude da carreira, na batida fatal na Curva Tamburello, em Ímola, no GP de San Marino, há 20 anos. No dia 1º de maio de 1994, a tragédia privou o mundo de saber até onde o piloto poderia ter ido. Mas as dez temporadas na F-1 [onde contabilizou três títulos, 41 vitórias, 65 poles e corridas inesquecíveis] lhe garantiram um lugar no olimpo do esporte, publica reportagem especial do jornal O Globo.