Do lixo ao luxo. Com esse tema, os internos que cumprem penas na Phac (penitenciária Harry Amorim Costa), em Dourados, foram convocados pela coordenadora da unidade local da Escola Estadual Pólo “Regina Betine”, Sueli Rodrigues de Oliveira, a juntarem sucatas e material reciclável que se acumulam no interior do próprio presídio e colocaram a arte na ponta dos dedos.
Abajures de papelão, com aplicação de restos de massa corrida; vasos de caixas de leite com detalhes em coadores descartáveis de café; redes e tapetes com embalagens plásticas de arroz; estantes com caixas de madeira de frutas e verduras, trabalhadas com detalhes em papel de revistas e jornais; bolsas produzidas com embalagens de biscoitos e papel de maços de cigarros; brinquedos de variados modelos feitos com garrafas pets; e até robôs produzidos com tampinhas dessas mesmas garrafas...
Esses são alguns exemplos do aprendizado, orientado pelas professoras da escola. Douradense, Alcemir Santos está prestes a ganhar a liberdade, depois de cumprir pouco mais de três anos em regime fechado. Ele se especializou em produzir vasos e abajures e ainda alimenta esperanças de que esse conhecimento adquirido possa se transformar em fonte de renda no futuro. Da mesma forma, Marcelo Januário, de Ivinhema, há dois anos e meio na Phac, acredita que as redes em embalagens de arroz poderiam reverter em benefício social.
A qualidade dos trabalhos levou a direção da penitenciária a cogitar a hipótese de organizar uma feira de artesanato, nos moldes desses eventos que tradicionalmente acontecem na praça Antônio João, apenas para expor a produção dos internos. “Hoje nós temos mais de 160 presos que realizam diferentes tipos de atividades. Prestam serviços na cantina, na cozinha, na administração e realizam serviços nos jardins e de limpeza. E ainda desenvolvem a arte com habilidade”, confirma o diretor da Phac, Joel Rodrigues Ferreira, há 12 comandando o estabelecimento penal.
No encerramento da VIII Mostra Cultural “Do lixo ao luxo”, que foi prestigiada pelos demais internos, além dos 165 alunos que frequentam aulas regularmente nos cursos de alfabetização até o Ensino Médio, alguns ainda arriscaram na demonstração dos dotes artísticos, tocando violão e interpretando sucessos da música regional.
Trabalho e assistência
O diretor da Phac contou ao Douranews, durante o encontro na tarde desta quinta-feira (6), que os 1428 internos que cumprem penas em Dourados são assistidos por diferentes tipos de programas. No começo da semana, uma parceria com a Secretaria municipal de Saúde, levou ao presídio técnicos para exames de DST/Aids e na quarta-feira (5), a parceria com o curso de Medicina da UFGD proporcionou exames de controle da tuberculose.
A estrutura da penitenciária oferece ainda serviços de psicólogos, assistentes sociais e médicos especializados em clínica geral (duas vezes por semana) e psiquiatria (duas vezes por mês). Dos 160 internos que realizam algum tipo de atividade laboral, 32 estão trabalhando na cantina da Phac, e ainda são remunerados. “Eles recebem ¾ de um salário mínimo, pagos pela empresa terceirizada que explora o serviço. A fila de preso pra trabalhar na cantina não acaba”, comenta Joel Rodrigues.