Nem o discurso empolgado e forte do deputado federal Marçal Filho, na abertura da convenção realizada na manhã de hoje (29), na Câmara de Dourados, conseguiu convencer os peemedebistas e filiados de vários outros partidos presentes no encontro em que o PMDB decidiu que o voto dos convencionais seria destinado a duas opções: candidatura própria, ou coligação com o PSB.
A tese do peemedebista Antonio Nogueira, que deixou a Secretaria de Planejamento da Prefeitura em abril deste ano para se dedicar ao trabalho de “convencimento” dos peemedebistas em torno da manutenção da aliança com Murilo, foi predominante. O próprio Marçal repetia, insistentemente, ao longo dos últimos dias, que a decisão “está nas mãos do Diretório”.
Os outros dois concorrentes internos do deputado nessa disputa, Geraldo Resende e Délia Razuk, chegaram até atrasados na convenção de hoje. A informação que circulou na Câmara era de que Resende havia se reunido, logo cedo, no escritório político, com os nomes que havia indicado mpara votar na convenção, e afirmado que “estavam liberados” para escolher o que entendessem ser o melhor para Dourados.
Após conhecer o resultado [42 votos pela coligação com o PSB de Murilo, 11 pela candidatura própria e um branco], Marçal voltou a discursar. E, desta vez, em tom quase rancoroso, disse que “o PMDB não me quer” e que vai consultar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para saber se poderia deixar o partido sem correr o risco de perder o mandato de deputado federal. Disse ainda que “gente que batia nas minhas costas votou contra mim”. Denunciou a traição sem citar a palavra.
O último a votar na convenção, emblematicamente, foi o secretário municipal de Serviços Urbanos da Prefeitura, Luiz Roberto Martins de Araújo, suplente de um convencional que fora escolhido por Geraldo Resende, o diretor da escola Reis Veloso, professor Anestardo, que se absteve de participar do processo de convenção. Mas o resultado era quase tão previsível que nem mesmo os protestos de uma eleitora isolada sensibilizaram os demais; coube ao ex-radical defensor da candidatura própria Paulo Falcão acalmar a mulher que ameaçava se rebelar.
Por fim, em meio a outra disputa interna, os peemedebistas sacramentaram o nome do contabilista Odilon Azambuja. Estava certo que, depois de todo o trabalho de bastidores, Nogueira não teria as bênçãos da maioria “inconformada” em ficar de fora dessa disputa. Odilon tem a chancela de todas as alas do PMDB e ainda a simpatia contemporizadora do DEM, partido que chegou a afirmar que só não aceitaria um vice indicado pelo PT.