A recente novela envolvendo o título brasileiro de 1987 e o destino da Taça das Bolinhas reabriu a discussão sobre a interferência da Justiça Comum no futebol.
O trio não lançou mão nem mesmo da figura do "laranja", caso em que o interessado prefere não ser identificado como autor do processo.
Todos entraram de maneira direta, aparecendo seus próprios nomes no polo ativo de cada ação.
"Vejo uma ilegalidade flagrante e um desrespeito absoluto. Não só à entidade máxima do desporto, como também à Carta Magna do Brasil", diz o diretor jurídico do Flamengo, Rafael de Piro.
Segundo o artigo 217 da Constituição Federal, a Justiça Comum apenas admitirá ações envolvendo o esporte após esgotarem-se as instâncias desta área _situação semelhante ao que fala o regulamento da Fifa.
Para o flamenguista, porém, a situação se encaixa exatamente à conduta do Sport, adversário da equipe carioca na disputa por 87.
"Só fomos ao Judiciário porque entregaram a Taça das Bolinhas ao São Paulo, mas não para discutir título de campeonato de futebol", alega. Os paulistas duelam com o Fla pelo status de primeiro pentacampeão nacional desde a criação do troféu.
Diretor jurídico do São Paulo, Kalil Rocha Abdalla afirma se tratar de uma exceção à regra da Fifa. "Já houve uma briga judicial anterior". Apesar disso, põe a culpa no rival: "Veja bem, não fomos nós que começamos. O Flamengo entrou com uma ação contra o clube devido à Taça das Bolinhas. Por esse motivo, entramos aqui [em SP] e o Sport lá em Pernambuco".
Já o responsável pelo jurídico do rubro-negro do Recife, Arnaldo Barros, diz que só está buscando o seu direito. "O que o Sport fez foi tomar as medidas necessárias para cumprir o que já estava decidido [o time como único campeão de 87]", argumenta.
"Essa nova portaria da CBF [divisão do título com o Fla] é que é uma afronta à lei", completa ele, fazendo questão de destacar que todos os trâmites esportivos sobre a questão já foram percorridos 24 anos atrás.
Na época, o extinto CND (Conselho Nacional dos Desportos) proclamou o Flamengo campeão. Mesmo assim, o Sport acionou o Poder Judiciário.