Os indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó estão ansiosos em usufruir da Vila Olímpica. Entre eles, já se combina competições. A alegria pela obra é compartilhada desde já por todos na Reserva de Dourados, pois veem na primeira Vila Olímpica Indígena a perspectiva desse espaço vir a ser o palco principal dos Jogos Indígenas de Mato Grosso do Sul, que são realizados há 12 anos no Estado.
São várias modalidades de jogos como arco e flecha, lança nativa, futebol, vôlei, corridas, cabo de guerra, entre outros. A Vila Olímpica possui espaços para a prática de todos esses esportes.
O indígena Laucídio Ribeiro Flores, professor e atleta formado em Educação Física, nota que a implantação da Vila Olímpica na reserva servirá de incentivo aos jovens que também buscam qualificação e aprimoramento no atletismo. “O esporte aqui está cada vez melhor, mas notamos que as drogas também estão crescendo, quem sabe com o esporte essa realidade possa mudar? Apesar dessa corrente do mal, quem sabe nossa aldeia possa sediar os Jogos Indígenas? Isso será inédito para nós!”.
“Aqui na nossa aldeia a lança não serve mais para a caça e para a pesca. Há 11 anos nós trouxemos à nossa aldeia jogos típicos indígenas, como o arco e flecha, cabo de força, a pesca e a lança nativa, pois nós enquanto indígenas não podemos perder nossas raízes”, comenta Flores.
O irmão mais jovem de Laucídio, Rocleiton Ribeiro Flores, também é atleta e já conquistou vários títulos. Ele está muito feliz em ter um local adequado para jogar com os seus amigos e pretende ganhar muitos campeonatos em Dourados. “É muito bom termos a Vila Olímpica aqui, porque vão acontecer muitos jogos na nossa aldeia, terão muitos eventos bons e é onde a gente pode se destacar. Todo atleta tem o sonho de poder ser campeão um dia e estou confiante em Deus que um dia a gente possa ganhar”.
“Com certeza vai nos ajudar a diminuir a ociosidade, principalmente dos jovens que atualmente não têm outra alternativa e acabam deixando se levar para o mundo das drogas. O investimento da obra da Vila Olímpica vai trazer a oportunidade de que o esporte e a cultura seja difundida neste local”, afirma o indígena Wilson Matos da Silva, que é advogado e coordenador regional do Observatório de Direitos Indígenas de Mato Grosso do Sul.
“Aqui na nossa aldeia nós sofremos muito com as drogas, o álcool e a violência e eu creio que uma das formas para fazermos algo pelos nossos jovens é o esporte. Com certeza essa vila vai ser de suma importância para nós indígenas”, diz Laucidio Ribeiro Flores.
“Ter a primeira Vila Olímpica do Brasil representa muito para nós. Vamos utilizá-la para esporte, cultura e lazer. Ela será muito bem vinda aqui”, diz Fernando de Souza e Silva. “Eu garanto que no primeiro campeonato que tiver eu vou buscar o titulo para Dourados”, completa Rocleiton Ribeiro.
“Nós nos sentimos honrados pelo privilégio de termos sido contemplados com um projeto desse tamanho que sem duvida nenhuma vai fazer a diferença para as crianças, jovens e para toda comunidade indígena de Dourados”, afirma Wilson Matos da Silva.