O advogado responsável por defender o nadador Cesar Cielo no caso de doping divulgado há duas semanas acredita na absolvição do brasileiro, que testou positivo para o diurético furosemida durante o Troféu Maria Lenk. Em entrevista ao SporTV, Howard Jacobs afirmou que o caso pode ter um desfecho favorável para o campeão olímpico junto ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte) antes do Mundial de Esportes Aquáticos, que será realizado a partir da próxima semana em Xangai.
"Eu acho que a explicação do que aconteceu é fácil de ser exposta e aceita, talvez mais fácil que a maioria dos outros casos", declarou Jacobs ao SportTV. "Eu já tenho muitos casos defendidos na TAS. Os argumentos normalmente são aceitos se conseguirmos explicar por que a substância acabou inadvertidamente na mostra da urina do atleta, caso haja respaldo em fatos e documentos", finalizou.
Entenda o caso
O nadador Cesar Cielo teve resultado adverso para a substância proibida furosemida em um exame antidoping feito no Troféu Maria Lenk, realizado em maio, no Rio de Janeiro. Além dele, campeão olímpico e mundial, outros três nadadores brasileiros também foram flagrados: Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa.
De acordo com nota da CBDA, divulgada em 1º de julho, os envolvidos declinaram do direito de realização da amostra B e definiram com precisão como o diurético entrou no organismo, o que comprovou que não houve aumento dos seus desempenhos, fato que não ocorreu nesta competição. Desta forma, a entidade optou apenas por uma advertência aos quatro atletas uma vez que não foi identificada culpa ou negligência por parte deles no episódio. O próprio Cielo, em nota oficial divulgada posteriormente, disse que "em nenhum momento fui imprudente ou negligente ou usei de imperícia".
A situação dos atletas, no entanto, ainda não está totalmente definida. Já que a Fina (Federação Internacional de Natação) resolveu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) para tomar uma decisão se os quatro devem ou não ser punidos pelo uso da substância, seguindo as regras das leis antidoping da Fina. Os nadadores serão ouvidos a partir do dia 20 de julho, em Xangai, na China. Em seguida, o tribunal irá analisar os depoimentos e as provas para anunciar no dia 22 se haverá punições pelo antidoping positivo.
Dos quatro flagrados no exame, apenas Henrique Barbosa não faz parte do P.R.O 2016 (Projeto Rumo ao Ouro), idealizado por Cielo com vistas a Olimpíada do Rio de Janeiro. O nadador é também um dos destaques do Flamengo. No Troféu Maria Lenk, competição na qual os atletas foram flagrados, Cielo foi surpreendido pelo compatriota Bruno Fratus na prova dos 100 m nado livre, uma de suas especialidades, ficando em segundo. No entanto, levou ouro nos 50 m livre, 50 m borboleta e nos revezamentos 4x50 m livre, 4x100 m livre e revezamento 4x100 m medley. Todos os resultados dele e dos outros nadadores flagrados na competição foram cancelados.
Menos conhecido entre os quatro nadadores, Waked, 23 anos, já havia sido suspenso por dois meses ainda neste ano por uso da substância isometepteno. Na época, ele se defendeu alegando que utilizou um remédio para dor de cabeça.