Confira a matéria e a entrevista de Lucas.
Ao chegar na Inglaterra, foi difícil para Lucas Leiva. O douradense até pensou até em voltar ao Brasil, mas conseguiu se firmar no Liverpool e inicia sua quinta temporada na Inglaterra neste final de semana, contra o Sunderland, hoje. O brasileiro precisou se adaptar para conseguir ser titular e acabou sendo escolhido o Jogador do Ano pelos torcedores.
Segundo o ex-volante do Grêmio, o jogo na Inglaterra é muito mais rápido que no Brasil e não é possível atacar e defender como ele fazia em Porto Alegre. O selecionável precisou escolher uma e adotou a postura de dar equilíbrio ao meio-campo. Para isso, foi essencial a confiança do técnico espanhol Rafa Benítez, que o trouxe em 2007, e do atual comandante, o escocês Kenny Dalglish.
"No Brasil eu jogava mais livre e na Inglaterra isso não é permitido, até porque o futebol aqui é muito rápido e você não consegue fazer as duas funções de forma perfeita", acrescentou Lucas.

Lucas foi eleito o Jogador do Ano pelos torcedores, à frente de Kuyt e Reina
Entre os seis favoritos ao título, apenas Ramires, no Chelsea, e os gêmeos Rafael e Fábio, no Manchester United, têm possibilidade de serem titulares. O goleiro Gomes pode ser o camisa 1 do Tottenham, mas foi muito criticado por falhas na temporada passada. O experiente Brad Friedel foi contratado.
"Como jogador você também tem que ter noção que tem que mudar algumas coisas para poder jogar na Inglaterra e às vezes alguns não estão dispostos a mudar alguma característica, alguma forma de jogar, e acabam não se adaptando", explicou.
Ano passado, o Liverpool foi adquirido pelo grupo norte-americano New England Sports Venture, que também é dono do Boston Red Soxs, do baseball local. Em janeiro, foram gastos 58 milhões de libras, aproximadamente R$ 153 milhões, nos atacantes Luis Suárez e Andy Carroll.
Na janela de transferências de verão, já chegaram os meias Stewart Downing, Charlie Adam e Jordan Henderson, além do goleiro Doni e do lateral esquerdo José Enrique. Os novos jogadores, junto com Dalglish, que revolucionou a temporada do Liverpool em janeiro, fazem a torcida acreditar no retorno à Copa dos Campeões e, talvez, na conquista do Campeonato Inglês pela primeira vez desde 1990.
Veja a entrevista exclusiva com o volante Lucas:
GE.NET - O Liverpool se movimentou bastante neste mercado de transferências. Qual a expectativa do clube com os novos reforços que chegaram?
LUCAS: A expectativa é que o clube evolua, principalmente em relação ao ano passado. Tivemos boas contratações, jogadores que se destacaram. Espero que eles tenham o mesmo nível que tiveram em outros clubes para ajudar o Liverpool a voltar à Champions League.
GE.NET - Desde que o grupo norte-americano New England Sports Venture comprou o Liverpool, o que mudou?
LUCAS: O clube não tem mais dívidas. Querendo ou não, facilita os investimentos dentro do elenco. A gente sente um ambiente muito mais leve, tranquilo, e os donos estão extremamente contentes com os jogadores e fazendo o esforço possível para melhorar o clube.
GE.NET - O Liverpool vai passar pelo menos duas temporadas longe da Copa dos Campeões. A briga pelas vagas ficou mais acirrada, com Manchester City e Tottenham evoluindo muito. Quem é o principal adversário?
LUCAS: Acho que temos seis equipes que estão sempre disputando o título: Manchester United, City, Chelsea, Tottenham, Liverpool e Arsenal. Essas seis equipes são as candidatas ao título e têm os melhores elencos. Acho que esses cinco times são os grandes rivais.

Com Mano Menezes, Lucas virou titular da seleção brasileira e jogou a Copa América
GE.NET - O principal objetivo é a vaga na Champions League, mas o time pensa no título?
LUCAS: Claro que pensa, até porque faz muitos anos que o Liverpool não vence o Campeonato Inglês. Quando você entra em uma competição, não pode pensar em nada menos que o título, mas a gente sabe também que o clube passa por um processo de reformulação e espera ter uma boa temporada. A Champions é o sonho de todo mundo, mas mais para frente do campeonato vamos saber se podemos brigar.
GE.NET - Vocês ficaram decepcionados por não conseguirem a vaga para nenhuma competição europeia na temporada passada após um ótimo segundo semestre?
LUCAS: Depois da chegada do Kenny, o time melhorou muito. Pelo que apresentamos no segundo semestre, acredito que merecíamos a vaga, mas o início foi muito ruim e a gente acabou pagando no final por não conseguir a classificação. Tivemos a chance no jogo contra o Tottenham, mas acabamos perdendo. Se vencêssemos, classificávamos.
GE.NET - O fato de não disputar nenhuma competição europeia e poder se concentrar apenas no campeonato pode ajudar?
LUCAS: O foco vai ser totalmente na Premier League. Querendo ou não a Liga Europa desgasta muito em viagens e os elencos são pequenos. Agora, a Copa da Inglaterra e o Campeonato Inglês são os principais objetivos.
GE.NET - O Manchester United se reforçou com jovens como Phil Jones e o goleiro De Gea, mas manteve a base. No entanto, perdeu peças importantes, como Van der Sar e Paul Scholes. É o favorito para ganhar o título mais uma vez?
LUCAS: Acredito que sim. É uma equipe que está acostumada a vencer e faz bem essa mescla com jogadores jovens e veteranos e com certeza vai brigar por mais um titulo. Esses jovens que foram contratados já tiveram sucesso em outros clubes, têm experiência.
GE.NET - Como é a rivalidade entre o técnico do Manchester, Alex Ferguson, e o do Liverpool, Kenny Dalglish?
LUCAS: A rivalidade é Liverpool e Manchester. Automaticamente os dois técnicos acabam tendo essa rivalidade. O Kenny foi um grande jogador do Liverpool, o maior da história segundo os fãs, e o Ferguson a gente nem precisa comentar muito, até porque está há muitos anos ganhando títulos e está há mais de 20 no clube. Isso não é normal no futebol.
GE.NET - Você jogou no Grêmio e no Liverpool, duas torcidas apaixonadas. Qual é a diferença?
LUCAS: Na Inglaterra a cultura, não só no Liverpool, é de estádio lotado todos os jogos. Infelizmente no Brasil a gente não tem isso, talvez pelos valores dos ingressos. A gente vê aqui uma torcida realmente fanática, com blogs, e que participa ao fundo da equipe, apoiando. Muito parecida com a do Grêmio. É difícil dizer uma diferença, mas acredito que é esse fato de o torcedor estar sempre presente, viaja para toda a Inglaterra, que é um país muito menor que o Brasil. Deixa a equipe muito motivada.
GE.NET - Dentro da torcida inglesa, a do Liverpool é considerada uma das melhores. É realmente diferente jogar em Anfield Road?
LUCAS: Todas as equipes que vem jogar em Anfield sentem que o estádio é tomado pelos torcedores. Em nenhum momento deixam de apoiar. Tem a famosa Kop, atrás de um dos gols, a torcida organizada. A torcida organizada é vista com maus olhos no Brasil, normalmente porque são as que criam tumultos, mas aqui é diferente. Essa torcida realmente puxa o resto do estádio para torcer e acredito que é uma das melhores senão a melhor da Inglaterra.
GE.NET - Concorda que o Campeonato Inglês é o melhor do mundo?
LUCAS: Eu acho que cada um tem uma opinião e é difícil eleger um campeonato. O Inglês se torna uma competição muito interessante porque não temos uma ou duas equipes. Temos seis equipes fortes e as consideradas menores são sempre muito difíceis de vencer, principalmente fora de casa. É emocionante. Acredito que tem uns dos melhores jogadores do mundo. Junto com a Espanha e Itália, e o próprio Campeonato Alemão, são os melhores da Europa e consequentemente do mundo. O Brasileiro está evoluindo bastante e entre os melhores.
GE.NET - Qual a característica mais marcante do futebol inglês?
LUCAS: O jogo rápido e com muita força física. É o que priorizam aqui. Um futebol muito rápido, com muitos gols e isso acaba sendo emocionante de assistir.
GE.NET - Você teve problemas para se adaptar a ele?
LUCAS: Tive. Foi uma mudança muito grande. Tive que passar por um período de adaptação.
GE.NET - Depois de algumas temporadas você finalmente se firmou como titular. Por quê?
LUCAS: Continuei fazendo meu trabalho, evolui fisicamente, que era uma das minhas preocupações, e fui me firmando na equipe.

Quando chegou, Lucas teve concorrência forte, como Mascherano e Xabi Alonso
GE.NET - Você é um dos poucos brasileiros titulares na Inglaterra. Por que isso acontece?
LUCAS: Eu acho que a diferença do futebol brasileiro para o inglês é muito grande. Sempre existe um período de adaptação. Como jogador você também tem que ter noção que tem que mudar algumas coisas para poder jogar na Inglaterra e às vezes alguns não estão dispostos a mudar alguma característica, alguma forma de jogar, e acabam não se adaptando. Tive que mudar alguns fatores e me adaptei.
GE.NET - O que você teve que mudar?
LUCAS: Na época do Grêmio eu atacava muito mais. A função que faço é de dar equilíbrio ao meio-campo, ao time, aos pontas, e dar um suporte à zaga. No Brasil, jogava mais livre e na Inglaterra isso não é permitido, até porque o futebol aqui é muito rápido e você não consegue fazer as duas funções de forma perfeita. Tem que acabar optando por uma e optei por essa, com as dicas dos treinadores.
GE.NET - O técnico Kenny Dalglish teve influência nisso? Ele te passou confiança?
LUCAS: Acho que o Rafa Benitez (seu técnico entre 2007 e 2010), que me trouxe, também deu confiança nos três primeiros anos. Ele (Kenny) foi uma pessoa importante, não só comigo. Trouxe a confiança de volta e a equipe pôde evoluir.
GE.NET - Dalglish ganhou oito títulos do Campeonato Inglês como jogador e técnico do Liverpool. O que mudou no clube com ele?
LUCAS: A importância dele dentro do clube todo mundo já sabe. Ele trouxe a confiança de volta à equipe, deu a confiança aos jogadores arriscarem e é isso que você precisa em uma equipe, além da parte tática. Tentar jogar bem sem medo de errar.
GE.NET - Você chegou a pensar em voltar ao Brasil?
LUCAS: No início sim, quando eu estava passando por esse período de adaptação e não jogava todas as partidas, mas também pensava em não desistir e continuar, até porque eu vim com objetivo de permanecer na Europa e fazer meu nome dentro do clube e acredito que aos poucos estou conseguindo.
Com Bruno Bonsanti, especial para a GE.net Liverpool (Inglaterra)