Os Jogos Olímpicos de Londres terão um significado especial para Giba, jogador da seleção brasileira de vôlei. Aos 35 anos, o ponta fará na capital inglesa suas últimas partidas com a camisa verde-amarela. Uma 'carreira' à parte, que durou 17 anos no time adulto e foi recheada de conquistas, sendo as principais as sete Ligas Mundiais, os três Campeonatos Mundiais e o título olímpico em Atenas-2004. Agora, o camisa 7 tem só mais 20 dias e oito jogos para dar o 'adeus'. Ele, no entanto, ainda não pensa na despedida.
"Acho que é cedo (risos). Eu procuro não pensar nisso agora. Pensar nessa aposentadoria faz mal, vivo todos os dias como se fossem os últimos. Tranquilo, sem nenhum tipo de pensamento de "já acabou", para não ter nostalgia. Estou tranquilo principalmente por tudo que fiz ao longos de todos esses anos pela seleção", afirmou Giba, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.
Desde a estreia, em 1995, quando ele ainda era o "Gilberto" (seu nome de batismo), foram 413 jogos, sendo 348 vitórias e apenas 65 derrotas com a camisa da seleção. Em 50 competições oficiais, o capitão conquistou 32 títulos. A maioria deles foi vencida a partir de 2001, quando Bernardinho assumiu o comando da equipe. Em meio a tantas vitórias, Giba não escolhe o "ano perfeito" entre os 17, mas consegue destacar os três principais títulos desde sua estreia, em 15 de agosto de 1995, na USA Centennial Cup, em Atlanta.
"O primeiro é o Olímpico, claro, pelo sonho de estar lá e pelo fato de ter ganho em 2004. O segundo é o Mundial de 2006, pela conquista e por ter sido eleito o melhor da competição. Por último, a Copa do Mundo de 2007. A gente perdeu para os Estados Unidos e depois ganhamos todos os jogos de 3 a 0 até o último, contra o Japão, que foi 3 a 1. Ali foi uma mistura de superação e supremacia", lembra o ponta.
Na entrevista, Giba foi questionado sobre os principais momentos de sua carreira. Preferiu não destacar um 'ano especial', mas por duas vezes usou a expressão "quando eu era Gilberto" para falar sobre o começo de carreira, quando ainda não tinha o status de um dos melhores jogadores de todos os tempos. Fez questão, porém, de dizer que "sempre tentou ser o Gilberto", independente das inúmeras conquistas. Mas admitiu: os feitos históricos o elevaram à condição de ídolo.
"Sempre tentei ser o Gilberto, não deixei subir à cabeça o fato de ter ganho vários títulos, ser uma pessoa reconhecida e importante. Tudo aconteceu muito rápido em uma carreira maravilhosa. Acho que não tem um ano certo em que virei um ícone, mas devido a todos os títulos, e por ter ajudado a levantar tijolos no vôlei, ser ídolo acabou sendo uma consequência", declarou.
Como Gilberto, o jogador, ainda sem ser tão conhecido mundialmente, fez sua estreia nos Jogos Olímpicos em 2000, quando o Brasil amargou um sexto lugar. Doze anos depois, Giba, considerado MVP de diversas competições ao longo dos anos, se prepara para o adeus à amarelinha. Mas ainda vai ficar por mais dois anos no vôlei - assinou recentemente contrato com o Dream Bolívar, da Argentina. Em 2014 fará sua despedida definitiva das quadras, mas não da modalidade. Pensando no futuro, já começou a estudar marketing e gestão esportiva.