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Modalidade sonha com CT, mas atleta principal faz críticas à confederação

11 de fevereiro 2015 - 16h30 Por Redação Douranews
Modalidade sonha com CT, mas atleta principal faz críticas à confederação

Um dos esportes olímpicos com menos recursos do Brasil, o levantamento de peso tenta aproveitar a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro para se desenvolver. Mas enquanto a confederação sonha com a construção de um centro de treinamentos até 2016, o principal atleta do país, Fernando Reis, tem queixas em relação à entidade. E o treinador das melhores atletas do Brasil, o romeno Dragos Stanica, teme que a modalidade não agarre a oportunidade para evoluir.

Enrique Dias assumiu o comando da CBLP (Confederação Brasileira de Levantamento de Peso), em 2013, após uma intervenção do COB (Comitê Olímpico do Brasil) em 2008. A entidade alegou que a assembleia geral para eleger a nova diretoria da CBLP havia sido feita com atraso de quatro meses, em maio de 2005, indo contra o estatuto da própria confederação. O número de membros no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), sete, também foi contestado pelo COB. Segundo a Lei Pelé, é preciso a presença de ao menos nove membros. Depois de uma transição que Dias chama de “demorada”, o ano de 2014 foi marcado por uma intensa agenda, de acordo com o dirigente: 

- Podemos citar a participação de campings no Equador, Estados Unidos, Romênia e Brasil, participações em todas as competições internacionais, proporcionamos diversos tipos de auxílios aos atletas e melhor estrutura em competições, condições jamais proporcionadas no país. Realmente nosso esporte enfrenta dificuldades, onde a exposição na mídia é pequena e o volume de recursos, idem. Mas tenho a certeza de que qualquer atleta, técnico e dirigente terá o reconhecimento que essa gestão é exponencialmente superior às anteriores - disse Enrique Dias. 

Nono colocado no último mundial do Cazaquistão na categoria pesado (+105kg), Fernando Reis enxerga uma melhora na relação com a confederação. Porém, reclama da falta de conexão da entidade com o seu treinador, o cubano Luiz Lopez, contratado do Pinheiros. Em 2013, sua família teve que pagar as passagens de Lopez para as competições.

- A relação com a confederação está melhorando. Mais ainda está longe do que deveria ser. Para um país sede de uma Olimpíada, a gente faz pela gente. Tem a estrutura do Pinheiros, mas o meu treinador não tem nenhuma conexão com a confederação. É engraçado que ele é o técnico do melhor atleta do Brasil, e todos os melhores treinam com ele. Acho isso curioso. É algo que tem que ser perguntado ao presidente da confederação – disse Reis.

Enrique Dias alega que o treinador acompanhou os atletas nas principais competições internacionais em 2014 e que ele está em contato direto com o coordenador técnico da CBLP, Edmilson Dantas.

-  A única falta de conexão é que ele não é funcionário da confederação. Todas as solicitações feitas por ele à CBLP foram atendidas em 2014. Além disso, ele e os demais atletas possuem acesso à presidência. Luiz não é funcionário da confederação por motivos legais. Ele é estrangeiro – alegou Dias.

Até novembro do ano passado, 38 treinadores estrangeiros trabalhavam para as confederações, todos vinculados ao COB. 

 

CT É SONHO, MAS NEM PROJETO PARA CRIANÇAS É REALIDADE 

Dias sonha terminar o seu mandato, que vai até dezembro de 2016, com a construção de um centro de treinamento encaminhada. A ideia é que ele fique em Minas Gerais, sede da confederação. Teria apoio dos governos estadual e municipal.

- O CT está em um período embrionário. Existem uma ideia e duas opções. Tem algum aceno das partes envolvidas e os apoios dos governos estadual e municipal. É um projeto ousado, mas não impossível. Sou servidor federal e trabalho em cima da lei da responsabilidade fiscal. Gostaríamos de ter mais recursos. Mas mesmo com os recursos que gerenciamos tivemos um salto quantitativo.

levantamento de peso academia Brasil  (Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com)
Dragos Stanica treina as principais atletas do país no Rio de Janeiro (Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com)

Fazem parte da confederação apenas seis federações estaduais: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Sul. As três do Sudeste são as principais. A CBLP recebe recursos da Lei Agnelo/Piva e da Petrobras. A primeira é oriunda de 2% de recursos das loterias federais aos esportes, dividida entre as confederações olímpicas pelo COB. Em 2014, o levantamento de peso estava inserido no menor patamar junto a outras cinco entidades que receberam R$ 1.904.000. Da Petrobras, que também patrocina as confederações de boxe, esgrima, taekwondo e remo, o valor recebido ano passado foi o menor: R$ 1.513.000. Os valores do patrocínio para 2015 com as cinco entidades ainda estão em negociação. De acordo com a assessoria de imprensa da Petrobras, a operação Lava Jato, que investiga o pagamento de propinas da empresa a empreiteiras, não afetou o patrocínio nas confederações. 

Patrocínio da CBLP desde 2013

Petrobras 
2013 – R$ 1.158.102,37 
2014 – R$ 1.513.000 
2015 – em negociação 

Lei Agnelo/Piva 
2013 – R$ 1.700.000 
2014 - R$ 1.904.000 

No Rio, o romeno Dragos Stanica treina as principais atletas do país em um espaço cedido por um clube de funcionários da Caixa Econômica Federal em Jacarepaguá, Zona Oeste. O aluguel é pago pela CBLP. Dragos lamenta o desinteresse do poder público em um projeto voltado para crianças. Ele também teme que as Olimpíadas passem sem que a modalidade se desenvolva.    

- Apesar do currículo que tenho, não consigo implementar um projeto com crianças com a prefeitura. A confederação fala que tem que dividir a verba com outros lugares, como Viçosa (em Minas Gerais). Temos que fazer uma base de levantamento em todos os estados. Minha relação com a confederação é muito boa, o presidente é meu amigo. Mas não conseguimos criar uma situação de trabalho favorável. A confederação está em Belo Horizonte, e eu vivo no Rio. Os Jogos estão chegando e no levantamento de peso não conseguimos realizar nada de palpável. Não conseguimos um centro, a prefeitura não se interessa pelos atletas. Se sua própria cidade ou estado não se interessa, fica difícil atrair até o olhar da confederação.

Paralelamente à carreira de aleta, Fernando Reis atua como empresário. Neste mês, inaugurou sua segunda academia de crossfit, em São Paulo, visando o levantamento de peso como complemento da preparação física. Tem como clientes destaques do jiu-jítsu, o saltador Jadel Gregório e o judoca Leandro Guilheiro. As 10 plataformas e o equipamento são das mesmas marcas usadas nas Olimpíadas de Londres 2012. O objetivo é privilegiar os clientes, mas atletas do levantamento de peso têm a porta aberta.

- De certa forma pode servir para o treinamento dos atletas da seleção. A estrutura estará aberta se a confederação quiser usar. Mas como é um centro privado, há contas a pagar, mensalidade. Mas conforme o nível do atleta, temos bolsistas, como campeões mundiais de jiu-jítsu.