Neymar está diferente. Desde que se apresentou à seleção brasileira, em Porto Alegre, no dia 8 de junho, foram sucessivas demonstrações de nervosismo, descontrole. Algo fora do comum no garoto que costumava se destacar pelo sorriso, e de quem se esperava muitos sorrisos depois de ser campeão e artilheiro da Liga dos Campeões pelo Barcelona.
A expulsão após o apito final na derrota por 1 a 0 para a Colômbia foi o ápice da nuvem negra que parece sobrevoar o atacante no Chile. Por ter levado o cartão vermelho direto, em lance diferente do que havia lhe rendido o cartão amarelo (segundo no torneio) e a suspensão automática para o jogo contra a Venezuela, Neymar terá de cumprir duas partidas de pena. Ou seja, se o Brasil avançar às quartas de final, ele também não entrará em campo.
E um julgamento, na manhã desta quinta-feira, pela comissão disciplinar da Conmebol, pode ampliar ainda mais o gancho do camisa 10. Que motivos Neymar teria para estar tão irritado? Como e quando ele já externou seu nervosismo nesses 10 dias com a Seleção?
Neymar chegou ao Brasil numa segunda-feira e, dois dias depois, entrou em campo no intervalo do amistoso contra Honduras, em Porto Alegre. O péssimo segundo tempo da Seleção rendeu muitas vaias da torcida gaúcha, que até ironizou ao gritar "olé" na troca de passes do adversário. Depois do apito final, como já haviam feito em São Paulo – sem Neymar –, os jogadores brasileiros foram ao centro do campo para saudar o público. Menos o capitão. Irritado com a reação ao mau futebol, ele deixou o gramado dizendo aos companheiros: "Mete o pé".
Em silêncio
Uma coletiva de imprensa estava marcada com Neymar para o dia seguinte ao jogo contra Honduras, em Porto Alegre. Havia uma expectativa enorme para ouvir o campeão europeu antes da disputa da Copa América. Porém, segundo a assessoria de imprensa da Seleção, o atacante preferiu não falar. Naquela noite, também não passou pela zona mista, área por onde os jogadores saem do vestiário em direção ao ônibus e podem ser parados pelos jornalistas.
De bico
Entre as características de Neymar, duas são muito flagrantes: o carinho que ele tem com as crianças e sua exímia pontaria. Pois bem, ao sair do hotel em Temuco, cidade da estreia do Brasil na Copa América, em direção ao treino, o craque se deparou com uma bola quicando em sua frente e não teve dúvida: dominou e devolveu... longe das mãos do menino. Sorte dele que Dunga resolveu compensá-lo. O técnico levou o garoto até o ônibus e o presenteou com uma bola autografada pelos jogadores.
Spray e empurrões
Cartão amarelo por tirar o spray do gramado? Neymar inaugurou essa infração na partida do último domingo diante do Peru. Depois que o mexicano Roberto García marcou o local de onde a falta teria que ser batida, o atacante retirou o spray da grama e foi advertido com cartão amarelo. Em seguida, distribuiu empurrões no peito dos companheiros que se aproximaram para reclamar da punição. A ideia era proteger os parceiros? Pode ser. Mas foi mais uma cena esquisita.
Mão na bola
Neymar recebeu cruzamento de Daniel Alves. Tentou de cabeça, mas Ospina pegou. Então o jeito foi dar uma mãozinha... Literalmente. O árbitro Enrique Osses não perdoou nem engoliu a explicação do atacante, que alegou não ter tido intenção de empurrar a bola para o gol com a mão. O cartão amarelo, distribuído na última quarta-feira contra a Colômbia, já o tiraria do jogo de domingo contra a Venezuela. Parecia que não poderia piorar. Só parecia...
Bolada, cabeçada e expulsão
Após o apito final do árbitro Enrique Osses e a primeira derrota da Seleção após a Copa do Mundo, Neymar acertou uma bolada no lateral-esquerdo Armero. Murillo, autor do gol da Colômbia, reclamou e "afagou" o brasileiro, que devolveu a provocação com uma cabeçada. E começou a confusão, que terminou com o cartão vermelho para o capitão. Agora, além do jogo de domingo, contra a Venezuela, Neymar é desfalque certo para as quartas de final, se o Brasil avançar, e pode ter sua pena ampliada em julgamento.