Quando Nelsinho Piquet levantou o troféu de campeão na festa de gala da Fórmula E, estava erguendo não só a primeira taça do novo campeonato, mas também a própria carreira no automobilismo. O título histórico representou a volta por cima de um piloto assombrado por um erro do passado. Há sete anos, coagido por Flavio Briatore, chefe da Renault, e Pat Symonds, diretor-técnico da Renault, Nelsinho jogou seu carro no muro do GP de Cingapura de 2008 de Fórmula 1 para ajudar o então companheiro Fernando Alonso a ganhar a corrida, em escândalo que ficou conhecido como "Cingapuragate". Apesar de inocentado no caso, viu sua carreira na maior categoria do automobilismo mundial. De lá para cá, passou por divisões da Nascar, Global RallyCross e provas esporádicas até encontrar a redenção na F-E, inovadora categoria de carros elétricos da FIA:
- Isso abriu minha carreira novamente. Fui capaz de mostrar meu potencial. Mostramos que se colocarmos um bom grupo de pessoas junto somos capazes de lutar contra grandes montadoras. Só é preciso ser inteligente – desabafou o piloto ao receber o troféu das mãos do presidente da FIA, Jean Todt.

Nelsinho Piquet no escândalo "Cingapuragate", no GP de Cingapura de 2008 na Fórmula 1
Entrada na categoria que por pouco não aconteceu. Nelsinho foi um dos últimos pilotos a confirmar a participação na temporada inaugural da Fórmula E. “Nos acréscimos”, acertou com a China Racing, uma equipe com estrutura, experiência e investimentos modestos em comparação a times acompanhados de grandes montadoras, como a e.dams (Renault) e a Abt (Audi), respectivamente de Sebastien Buemi e Lucas di Grassi, seus maiores rivais na luta pelo título.
A temporada começou discreta. Um oitavo lugar na primeira etapa, em Pequim (China) e um abandono na prova seguinte, em Putrajaya (Malásia). Dois pódios consecutivos, em Punta del Este (Uruguai) e Bueno Aires (Argentina), no entanto, começaram a aumentar as pretensões de piloto e equipe. O título passou a ser algo tangível com a vitória na sexta etapa, em Long Beach (EUA). E a liderança do campeonato virou realidade duas provas depois, com a desclassificação de Di Grassi no ePrix de Berlim.
- A equipe fez um trabalho incrível. O pessoal trabalhou duro. Assim que conquistamos nossa primeira vitória, em Long Beach, nós percebemos que tínhamos uma chance de vencer o campeonato. Foi incrível.