Na piscina ou no mar. Entre raias ou marolas. Velocidade ou resistência. Tiros de 200m, 400m, 800m ou maratonas de 10km. Carol Bilich não tem preferência. Fôlego e disposição não faltam à nadadora capixaba de 19 anos. Também não lhe falta coragem. Seja para encarar as “porradas na cabeça” na prova das águas abertas; seja na hora de superar seus próprios limites “contando ladrilhos”. Em Toronto, nos Jogos Pan-Americanos, mais uma vez a atleta do Minas vai se dividir entre as duas modalidades aquáticas sonhando com sua estreia no pódio da competição.
A piscina é a paixão mais antiga. Nela deu suas primeiras tentativas de braçadas, com apenas 3 anos. A relação com o mar é mais recente, ficou intensa nos últimos anos. No Sul-Americano juvenil, em 2013, Carol surpreendeu ao conquistar títulos na natação e nas águas abertas e, de quebra, ser eleita a melhor atleta em cada uma das modalidades. Desde então, vem se dividindo entre os dois esportes e, em 2015, já de olho nos Jogos Pan-Americanos, participou de etapas da Copa do Mundo de águas abertas.
- Maratona é bem diferente de piscina. Na piscina, você tem uma raia só para você. É só cair ali e nadar. A maratona é um esporte de muito contato. Como me classifiquei para o Pan, resolvi fazer algumas etapas da Copa do Mundo. Peguei algumas manhas, que eu não tinha sobre correnteza, vento, tática quando a água é salgada ou quando é doce... Você só consegue aprender essas coisas nadando mesmo – explicou a nadadora, que fará sua estreia nos Jogos Pan-Americanos justamente na maratona aquática, na prova de 10km, neste sábado.
Uma das coisas que precisou aprender na marra é a se defender. Acostumada com a garantia de um espaço livre nas piscinas, a estudante do curso de nutrição levou várias pancadas na água até começar a entender a dinâmica mais agressiva da maratona aquática.
- Nunca levei tanta porrada na minha vida como nessas etapas (da Copa do Mundo de águas abertas). Aprendi a lidar com isso. É uma coisa que não tem muito jeito. Às vezes é sem querer. Mas às vezes é por querer mesmo (risos). Mas aprendi a me defender das porradas.
Em Toronto, além de testar sua resistência às pancadas e lutar pelo inédito ouro brasileiro na modalidade, Carol também vai conferir a sua capacidade de recuperação. Apenas seis dias depois de disputar a cansativa prova de 10km da maratona, terá pela frente seu primeiro desafio na piscina: os 400m livre. No dia seguinte, 18, estará na água de novo para disputar os 800m livre. Quando a intensa programação chegar ao fim em Toronto, será a vez do Mundial de Kazan. A capixaba compete a prova de 5km na Rússia no dia 25 do mesmo mês, apenas seis dias depois de sua despedida no Canadá.
- As três provas são bem intensas, mas a maratona é mais cansativa por causa da quilometragem mesmo. É a que pesa mais, e é logo a primeira. Então, tenho que me alimentar bem depois, fazer massagem, me hidratar bem... Vai ser bem apertado. Depois disso, ainda tem o Mundial (de Kazan).