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Blatter atrasa coletiva após chuva de dólares

20 de julho 2015 - 20h10 Por GloboEsporte/Douranews
Blatter atrasa coletiva após chuva de dólares

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi surpreendido por um manifestante, nesta segunda-feira (20), pouco antes de conceder entrevista coletiva, em Zurique, na Suíça. O dirigente estava posicionado para falar com os jornalistas quando o humorista inglês Simon Brodkin fez um protesto. Ele se posicionou diante do local onde estava o suíço e jogou notas de dólar sobre Blatter, o que provocou atraso na entrevista. 

Ao ficar em frente à mesa em que Blatter falaria com os jornalistas, o humorista mostrou um maço de cédulas para o dirigente e disse que aquele dinheiro seria para a candidatura da Coreia do Norte para sediar a Copa do Mundo de 2026. Brodkin vestia um terno com um símbolo semelhante ao da bandeira norte-coreana.

Diante da aproximação do humorista, o presidente da Fifa chamou imediatamente os seguranças. Dois homens apareceram para retirar Brodkin, que jogou as notas sobre o dirigente antes de sair escoltado. Visivelmente irritado, o presidente da Fifa deixou o local e avisou que voltaria quando tudo estivesse limpo. Ao iniciar a coletiva, ele lamentou o episódio.

- Lamento pelo que aconteceu no início, acabei de falar com alguém que me disse: não se preocupe, é apenas falta de educação. Em todo caso acho que essas coisas não deveriam acontecer. No futebol nunca se sabe onde estão os limites e isso é algo que tenho testemunhado há 40 anos - disse. 

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Humorista conseguiu agir antes da chegada da segurança, chamada por Blatter

Visivelmente abalado pelo protestos que adiou o início da entrevista coletiva em Zurique, Joseph Blatter tentou recuperar a compostura ao discursar para os jornalistas na abertura da conferência. Afirmou que tal atitude nada tem a ver com o futebol e começou o seu pronunciamento nitidamente tenso, isso depois de se retirar da sala por alguns minutos até que as notas atiradas pelo invasor fossem recolhidas pelos funcionários. Passada a tensão inicial, ele garantiu que não será candidato na próxima eleição, marcada para o dia 26 de fevereiro de 2016, mas afirmou que continuará no cargo até lá. Blatter afirmou que sua missão em seus meses restantes à frente da Fifa é conduzir as reformas que estão em andamento, entre elas uma verificação centralizada de integridade dos membros do Comitê Executivo, que será feita pelo Comitê de Ética, e a revelação de todos os pagamentos feitos pela Fifa a eles, e também ao próprio presidente.

O suíço afirmou estar colaborando com as investigações conduzidas em seu país e nos Estados Unidos e, dessa forma, o diretor de comunicação da Fifa, Nicolas Maingot, antecipou que ele não responderia a certas questões por ser "inapropriado". Blatter insistiu que sua principal missão é fazer com que a Fifa recupere a sua reputação.

- Estou feliz por falar com vocês aqui, porque isso me dá a impressão de que ainda estou vivo. Após a tsunami que nos atingiu no dia 27 de maio, parecia que as ondas me levaram, mas não. Ainda estou aqui. Ainda sou o presidente da Fifa e hoje falo com vocês como o presidente reeleito - afirmou Blatter. 

Questionado repetidamente sobre sua participação no próximo pleito, Blatter teve de reiterar diversas vezes que não seria candidato: 

- Já me perguntaram. Como disse antes, não serei candidato na eleição de 2016. Haverá novas eleições para um novo presidente. Não posso ser o novo presidente, pois sou o antigo presidente. Não tão velho, mas velho - brincou.

Com oito meses restantes no cargo, Blatter afirmou que pretende supervisionar a organização da eleição. 

- Ainda sou o presidente eleito e vou usar meu mandato com responsabilidade. Minha missão é me certificar de que no fim de fevereiro eu chegue ao fim da minha carreira e possa dizer que a Fifa começou novamente a se reformar e reconstruir sua reputação. Isso é importante para mim - garantiu. 

Lamento pelo atraso, pois houve itens importantes para discutir e levou mais tempo do que previmos. Em segundo, lamento o que aconteceu na minha entrada aqui. A minha mãe diria, É apenas falta de educação. Você nunca sabe quais são os limites no futebol.