Postas empilhadas, a mala e a mochila de Luciano Dantas quase superam seu 1,35m de altura. Após levantar mais de duas vezes e meia o próprio peso para faturar o bronze na categoria até 54kg, Montanha, como é mais conhecido, se despede de Toronto nesta quarta-feira aliviado pela sensação de ter subido no pódio e fazendo piada sobre a própria bagagem antes de embarcar de volta ao Brasil.
- Infelizmente o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) vai pagar por excesso de bagagem, porque essa medalha é muito pesada. Mas valeu muito a pena. Minha mala agora vai com 138kg a mais. Mas até despachar eu levo na boa, vou só puxando na lateral, já tenho toda a manha. Agora estou zero bala, não tenho nenhum peso em cima de mim, foi dever cumprido.
Os 138kg a que Montanha se refere é o peso final das anilhas levantadas por ele no sábado, quando terminou a disputa em terceiro lugar, atrás apenas do chileno Jorge Cardenas e do cubano Cesar Rubio Guerra. No esporte desde 2009 e na seleção desde 2013, o potiguar só se preocupa com o peso quando tem que subir na balança.
Em uma categoria mais baixa em relação à que competia antes, Montanha precisou fazer uma dieta relâmpago ao chegar a Toronto. Ele estava quase quatro quilos acima do máximo permitido em sua faixa, mas conseguiu eliminar este excesso com ajuda da equipe de nutricionistas do CPB.
- Desde que tive que descer de categoria não está fácil para manter (o peso). Cheguei aqui com quase 58kg, e no dia da competição pesei 53,995, quase no limite mesmo. Tive que perder correndo essa diferença para poder competir.
O bronze de Montanha foi um dos três exemplos do Brasil no Parapan do sucesso dos anões no halterofilismo. Dos quatro atletas com nanismo que representaram o país na competição, apenas o caçula, Gustavo Tavares, não conquistou medalha. No sábado, Maria Rizonaide inaugurou a contagem verde-amarela no quadro de medalhas com ouro na categoria até 47kg, enquanto Bruno Carra levou a prata na categoria até 59kg.
- Os anões têm facilidade no movimento porque têm a alavanca bem menor do que uma pessoa de altura normal, que faz o movimento maior. O nosso é menor. Se o seu braço tiver o dobro do tamanho do meu, enquanto eu desço e subo, você ainda estará descendo – explicou o atleta.