Usain Bolt não está acostumado a perder. Quando depende do próprio esforço, o Raio se garante. No Mundial de Pequim, venceu todas as baterias que disputou até o momento e conquistou ouros nos 100m e 200m rasos com suas melhores marcas nesta temporada. Mas, se o resultado depende do trabalho em equipe, o desafio se torna ainda maior. Depois de receber nesta sexta-feira o ouro dos 200m e as desculpas do cinegrafista que o atropelou na comemoração, o jamaicano encerrou sua participação individual no Ninho do Pássaro e agora é a maior esperança de seu país para dar o troco nos Estados Unidos no revezamento 4x100m.
Em Mundiais de atletismo, o último título dos Estados Unidos no 4x100m masculino foi conquistado em Osaka. Mas, em maio deste ano, os americanos finalmente conseguiram bater o time liderado por Bolt. A vitória veio no Mundial de Revezamento, nas Bahamas. O quarteto americano teve Ryan Bailey, Tyson Gay, Mike Rodgers e Justin Gatlin, principal adversário do Raio nos 100m e nos 200m em Pequim, e cravou 37s38.
Como de costume, Bolt fechou a troca de bastões entre os jamaicanos naquela ocasião. Entrou na disputa na terceira colocação, mas rapidamente deixou o Japão para trás. Só não teve pernas para assumir a ponta antes de cruzar a linha de chegada. O cronômetro parou em 37s68 quando ele o fez.
Agora, o Raio tem a chance de dar o troco. No Ninho do Pássaro, vai buscar sua quinta medalha - e quarta de ouro - na prova na história da competição. Depois de suar para garantir seus títulos individuais e ainda sofreu um acidente durante a comemoração dos 200m, levando um "carrinho" de um câmera, o recordista mundial espera ter vigor físico o bastante para fazer a diferença.
- Claro que vai ser difícil. Sempre é duro o duelo entre Jamaica e Estados Unidos no 4x100m. Espero que minhas pernas não fiquem cansadas agora. Nunca é possível saber como vai ser. Espero que todos os meus companheiros estejam focados - disse Bolt.

Bailey cruza na frente de Bolt e dá a vitória para EUA no Mundial em Bahamas
Gatlin, que tem no 4x100m sua última chance de subir ao lugar mais alto do pódio em Pequim e finalmente bater o jamaicano, acredita que a conquista de duas pratas aos 33 anos possa motivar seus companheiros.
- Espero que minha performance nos 100m e 200m dê eletricidade a eles para fazermos como nas Bahamas e ficar no topo do pódio. Não lideramos esta prova por muito tempo, e agora temos a responsabilidade de segurar (o título). Confio nos meninos, vamos lá tentar.